Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

sábado, 29 de outubro de 2011

Bombeiros e estudantes da USP: iguais, mas diferentes

 Bombeiros cariocas em Maio de 2011

Todo mundo deve estar acompanhando o que aconteceu na USP essa semana. A Polícia Militar (PM) ocupou o campus da Cidade Universitária em decorrência da morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, que morreu numa tentativa de assalto em maio desse ano. À princípio a PM foi chamada para dar mais segurança à universidade, evitando assaltos e eventuais homícidios. Acontece que, essa semana, estudantes foram presos por PMs que patrulhavam o campus por porte de maconha, causando revolta de alguns estudantes. Indignados, invadiram o prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e disseram que só irão sair depois que a universidade mandar a PM embora de lá definitivamente. O governador do estado, Geraldo Alckmin, agiu da maneira que já se esperava: prometeu reprimir. 
Hoje pela manhã, uma surpresa para mim: o estudante que apareceu como representante do movimento falou com a imprensa e, ao ser questionado se o que eles queriam era a liberdade de usar drogas no campus, não soube responder, gaguejando e desconversando. 
Sempre detestei os legalistas. Aqueles que agem como se a Constituição fosse um livro de fé e prática, inquestionável. Defendi a revolta dos bombeiros, assim como a greve dos professores. No primeiro caso, houve desrespeipeito às leis por parte dos manifestantes, mas, graças ao apoio da população, o poder público se viu obrigado a conceder uma anistia e aceitar as reivindicações dos bombeiros. Os professores, cuja importância social a população brasileira não reconhece, não tiveram a mesma sorte, mesmo agindo dentro dos limites legais. Ou seja, a população apoia manifestações que tomem atitudes ilegais, desde que acreditem que a causa é "nobre", o que dispensaria os querelantes de respeitarem as leis.
Assino em baixo.

 Estudantes paulistas em Outubro de 2011

O caso do uso de maconha na USP é similar. Houve uma invasão dos estudantes, tão ilegal quanto no caso dos bombeiros. A reação do governador do Rio, Sérgio Cabral, foi tão enfática quanto a de Alckmin. Entretanto, apesar do desfecho do caso uspiano não estar ainda totalmente certo, é muito provável que o movimento estudantil seja desbaratado sem o apoio da população. Bombeiro é tido como herói, estudante de universidade pública é baderneiro, filinho de papai e comunista. Pelo menos é assim que pensam os brasileiros. Ainda mais se tem maconha envolvida. Vão gritar para que prendam logo os "maconheiros", que reprimam mais e mais! Vão gritar por ordem e por segurança. Mais decepcionante que isso, entretanto, é a falta de ousadia dos amotinados. Seu porta-voz não teve a coragem de dizer na cara dura que a revolta foi motivada pelo direito de poder fumar maconha em paz. Ora, onde já se viu fazer revolta assim? Essa era a hora de agir como os bombeiros. Penso que os estudantes acham que não terão apoio popular se levantarem a bandeira das drogas descaradamente. Ora, eles não terão o apoio popular de qualquer maneira (tal qual os professores do estado do Rio não tiveram) e ficando em cima do muro acabam mais isolados ainda. Se tivessem a coragem de defender a legalização, poderiam pelo menos obter o apoio daqueles que defendem o direito de usar drogas em paz.
Sou daqueles que pregam a descriminalização das drogas. Possivelmente de todas. E penso que deveríamos começar a discutir como fazer isso da maneira menos traumática possível. Digo isso por que não sou ingênuo para não saber que a liberação trará consequências imprevisíveis, mas sou menos ingênuo ainda para deixar de notar que a guerra contra as drogas é um retumbante fracasso. Ela mata mais do que as drogas em si. É o contexto histórico e social da repressão que faz derramar tanto sangue e não o uso de drogas em si. Os estudantes da USP perderam a oportunidade de iniciarem esse debate. É triste! Ao invés de ajudarem a desmontar o dispositivo da droga, estão reforçando-o. Nossa população, mesmo fudida pela polícia que tanto a oprime, só sabe clamar por mais repressão contra ela mesma. Estudo numa universidade federal e espero nunca ter que lidar com a polícia militar dentro do campus. A polícia não serve exatamente para proteger, ela serve para massacrar. Chamando-a para dentro da universidade, estamos dando ao estado o controle de um espaço social que sempre foi mais livre e descontraído. Vivemos um momento chave da história: as sociedades de controle estão asfixiando os poucos lugares em que havia mais liberdade. As universidades paulistas sempre foram reconhecidas por sua autonomia. Até quando serão? Caso os estudantes realmente queiram mudar alguma coisa, devem ser mais articulados!
Cabe aqui uma crítica severa à nossa imprensa que, mais uma vez, fingiu parcialidade e foi altamente mentirosa. Não mostrou que o caso da maconha foi apenas o estopim de uma situação maior, que é a entrada da PM na universidade. A polícia deveria ser eficaz o suficiente para impedir que bandidos entrassem no campus e não ficar lá 24 horas por dia. Quem garante que, tendo a polícia lá dentro, o Estado não será tentado a asfixiar qualquer manifestação contra o governo? Hoje a repressão é contra a maconha, amanhã pode ser contra uma passeata por mais democracia. A história do nosso país tem muitos exemplos de como a polícia é eficaz em reprimir manifestantes políticos e ineficaz em reprimir o tráfico de drogas, por exemplo. Fico me perguntando, então, qual a real intenção de colocar a PM dentro de um campus de universidade.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Grande Loucura


Daqui a menos de duas semanas vou fazer a maior loucura que já fiz na vida. Vou viajar 450 km para encontrar o homem que eu amo. Vou quase sem avisar, meio de sopetão, meio de surpresa. Não tenho dinheiro, nem onde ficar, se ele me fechar a porta, ficarei na rua... 
As vezes me pego pensando que se tivesse nascido no século XIX, seria um daqueles românticos do Mal do Século: obscuros, sonhadores, meio pessimistas. E acima de tudo emotivos e sentimentais. Eu acredito no amor, acredito em sua força transformadora. E acredito que vale a pena um ato inconsequente e irrefletido para viver o amor que sentimos.
Românticos ainda tem vez num mundo pós-moderno de relacionamentos líquidos? Ah Castro Alves, como você sonhou, eu também sonho... Ah, eu sonho...

Amar e Ser Amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus labios em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante, amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?

(Castro Alves)

Não sei com quem sonhou, poeta dos escravos... eu sonho com o catarinense de Minas Gerais.