Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O menino pérfido

 
Há três anos atrás eu vi um perfil de um tal de André no Orkut. Cliquei nos álbuns e olhei as fotos. Que lindo! Adicionei e pedi msn., sem muitas esperanças. Que alegria, ele me aceitou! Começamos a conversar. Ele era um sonho, tudo o que eu pedia aos céus. Bonitinho, magrinho, novinho, sabia dosar momentos eróticos e românticos na medida certa. Eu me derretia em ver o seu sorriso metálico na webcam. Falava-lhe obscenidades, ríamos. Eu voltava atrás e era romântico. Ele me adorava mais ainda por isso. Fazíamos planos para o futuro, incapazes de ter um presente: ele morando em São Paulo e eu no Rio de Janeiro. 
Eu dizia para ele que queria cuidar dele, envolvê-lo em meus braços, chamá-lo de meu bebê; depois possuí-lo, entrar nele, invadir-lhe o corpo, tal qual ele havia invadido e subjugado minha mente à sua imagem de ninfeto angelical. Eu, um historiador recém-formado e sem emprego. Ele, um jovem recém saído do Ensino Médio e cheio de inseguranças. Eu, louco para tê-lo no meu colo, só meu. Ele, precisando de amparo, carinho, ávido por um romance. Eu queria ser o cavaleiro de armadura dele, jogar o lenço na poça de lama para ele não sujar os lindos pezinhos quando passasse. Ele aceitava ser o donzelo, mais do que isso, ele ardia em desejo no seu amor púdico e passivo.
O tempo passou e o fogo aumentou, assim como as desilusões. Como aguentar a distância? Iludíamos a nós mesmos acreditando que era só questão de tempo até podermos nos tocar e sentir o doce sabor dos lábios um do outro. Quanta inocência e tolice! Haveria desculpa para tamanha cegueira? Em favor dele, havia sua pouca idade. Um rapaz de 18 anos recém completos, jovem e romântico. Não seria de se espantar que caísse na armadilha. Mas e eu? Já tinha 23 anos! Não previ o que aconteceria? Claro que sim! E por que nada fiz? Covardia, medo...
Diante da minha vergonhosa indecisão, coube a ele tomar a decisão: estávamos apartados a partir daquele momento. Ele conhecera outro. Não parecia um cavaleiro de armadura, mas morava perto. Antes um mascate que possa esquentar seu colchão do que um fidalgo que nunca retorna da batalha. Eu chorei, gritei, esperneei. Agi como a criança que eu fingia que não era. Brigamos. Excluímo-nos um da vida do outro da mesma forma que atiramos à Lixeira do Desktop uma arquivo indesejado. DELETE! Num passe de mágica ele não estava mais lá. Doeu. Um buraco se abriu no peito, mas eu segui em frente. Sou forte, sou um cavaleiro de armadura, tenho que seguir em frente!, pensei. Tenho fortalezas a derrubar e castelos a conquistar. Outros donzelos apareceriam. 
E como apareceram! Conheci vários, cada um com os lábios mais doces do que o ouro. Um deles mantém meu coração cativo até hoje, um donzelo catarinense de Minas Gerais...
Mas só percebi o quanto o Dré me fazia falta há duas semanas atrás quando o reencontrei no Facebook. Lá estava ele, com o mesmo piercing no lábio inferior, o mesmo sorriso maroto (e pérfido), o mesmo jeito de menino púbere serelepe. Voltamos a nos falar e hoje de noite conversamos no msn e na webcam, igual nos velhos tempos, ao som de Lady Gaga. As mesmas sensações voltaram a me invadir, a vontade de protegê-lo, de envolvê-lo e de me jogar na frente de um trem em movimento pra salvar-lhe a vida. Mais uma vez André Luiz estava do outro lado da tela, fazendo-me sentir um super homem, pronto pra salvá-lo, enchê-lo de carinho para depois possuí-lo e deixar minha semente dentro dele. 
"Não", disse eu "não vou cair no mesmo erro!". "Moramos muito longe", ele completou. Eu voltei a mim e engoli a nostalgia. Eu não merecia sofrer de novo, muito menos ele. Cumpro minha missão de protetor privando-o de uma nova desilusão. Dessa vez eu tomaria a atitude certa. Dessa vez não vou criar castelos nas nuvens. Mas sim, vou ao seu encontro, mesmo que seja só um breve momento, quero tê-lo em meus braços e lhe dizer: "Vem menino paulistano, essa noite cuidarei de você".
"Se eu receber minha bolsa e for em São Paulo te ver, você deixará?"
"Claro, seria um prazer! Vem sim!"
...

UM DIA, MENINO, VOU CUIDAR DE VOCÊ...

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