Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

domingo, 26 de junho de 2011

Carreira de pesquisador em História





Carlos Fico

O(a) jovem que deseja tornar-se um(a) pesquisador(a) em História deve preparar-se para enfrentar um longo percurso.

O primeiro passo, naturalmente, é ingressar em um bom curso de graduação (há diversos rankings que facilitam a escolha). O bacharelado em História é uma etapa difícil: a visão frequentemente tradicional que se tem da História no ensino médio tende a ser “desconstruída” na universidade, o que costuma gerar crises epistemológicas nos(nas) jovens candidatos(as) a historiador(a). Sempre digo a meus(minhas) alunos(as) que o principal não é cumprir as disciplinas, mas integrar-se em grupos de pesquisas, fazer iniciação científica, atuar como monitor. Para mim foi muito importante aproximar-me dos(as) professores(as) que admirava, pedir orientação insistentemente: é muito comum que os(as) professores(as) universitários(as) sejam pouco demandados(as) e, por isso, acabam sendo mal aproveitados(as).

No final da graduação, é importante que a monografia de bacharelado seja bem escolhida. O primeiro exercício de pesquisa não pode ser aborrecido.

Há uma espécie de “taylorização” da formação do pesquisador: emenda-se o bacharelado no mestrado, feito rapidamente em dois anos, e logo se inicia o doutorado, às vezes até antes da defesa da dissertação de mestrado. Isso é ruim, já que nossa profissão exige amadurecimento, erudição, leituras, algo que demanda tempo. No passado, uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado podia ser feita ao longo de 5, 6 anos, ou muito mais. Mas não adianta pensar em termos ideais. Hoje há muita competição. Por exemplo: quando ingressei na carreira do magistério superior, em 1985, eu nem tinha o mestrado, era apenas um especialista (pós-graduação lato sensu). Comecei como “Professor Auxiliar”. Hoje em dia, nenhuma universidade contrata professores auxiliares porque, para atuar na pós-graduação, é preciso ser doutor e praticamente todos os departamentos têm cursos de pós-graduação.

Portanto, é preciso fazer o mestrado rapidamente, nos dois anos regulamentares, de preferência com uma bolsa do CNPq ou da CAPES, o que depende da classificação no processo de seleção. É essencial, portanto, fazer uma boa seleção. Isso resulta, em geral, de duas coisas: um bom projeto de pesquisa e, eventualmente, ter atuado na graduação do departamento em alguma iniciação científica. Um bom projeto de pesquisa é aquele que define com precisão um problema e indica a existência de fontes documentais interessantes. Um bom roteiro para a elaboração de projetos de pesquisa pode ser visto nos editais de seleção do meu programa de pós-graduação, o PPGHIS da UFRJ.

O mestrado é uma correria e, nesse sentido, até mais difícil do que o doutorado. O(a) aluno(a) vem da graduação, muitas vezes sem experiência de pesquisa e, em dois anos, tem de fazer uma dissertação. Como no primeiro ano é preciso cumprir, em geral, quatro disciplinas, a dissertação só é redigida mesmo no segundo ano.

No doutorado as coisas são mais tranquilas, em função da experiência adquirida e do prazo maior (quatro anos). O único problema é que você terá de fazer uma tese de doutorado! É um trabalho que pressupõe originalidade. O mais importante, entretanto, é ter em mente que a tese costuma “marcar” o autor: quando você fizer um concurso para tornar-se professor, por exemplo, é certo que sua tese será considerada.

Depois da tese, o passo final é a busca de um emprego. Muitos recém-doutores só vão se inserir no mercado nesse momento, tendo vivido de bolsas até então. É a realidade hoje em dia. Como disse, no passado, muitos professores se doutoravam depois de anos de atuação no magistério. Seja como for, há algumas alternativas. Uma delas é trabalhar como "Professor Recém-Doutor" em algum departamento ou programa de pós-graduação, algo que, em geral, depende de uma inserção prévia em grupos de pesquisa. Outra hipótese é se tornar "Professor Substituto" (dando aulas na graduação no lugar de um professor aposentado ou falecido antes do concurso para professor efetivo). O processo de seleção para professor substituto é mais simples do que o tradicional concurso de provas e títulos para professor efetivo.

O concurso para se tornar professor do magistério superior federal (efetivo) é bastante pesado. Há provas de aula, de arguição do currículo e escrita. Usualmente, são muitos os candidatos. Como já disse, em geral os concursos são para “Professor Adjunto”, isto é, aquele que já é doutor. Dificilmente se contrata um "Professor Auxiliar" (especialista) ou "Assistente" (mestre). Depois de oito anos, o Adjunto pode progredir para "Professor Associado". Para chegar ao último patamar da carreira, como “Professor Titular”, é preciso fazer outro concurso, que pode exigir uma tese ou uma conferência, dependendo da universidade.

Se tudo der certo, são quatro anos na graduação, dois no mestrado e quatro no doutorado, isto é, dez anos apenas para começar a carreira. Boa sorte! E paciência...

Texto de Carlos Fico (Professor Titular de História do Brasil da UFRJ).


Traduzindo: tenho muitos anos pela frente... :s



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Era Foucault "pegável"?

Estava eu tendo uma conversa agradável no MSN com meu amigo de graduação, Alex, quando ele me solta uma pérola: "Cara, vi uma foto do Foucault com cabelo". "Jura?", retruco eu. "Pois é, ele era super pegável, hein?". Tem gente que leva o amor à filosofia a sério demais não? (Risos). Se bem que esse amor entre discípulo e filósofo já é tradição desde Platão e Aristóteles, não?
Para tirar a dúvida, segue a foto...

E então, fica a questão filosófica a ser respondida: você pegaria?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Reinaldo Azevedo: as idiotices de alguém a serviço de seu próprio ego!



Reinaldo Azevedo é o famoso e grotesco jornalista da (igualmente grotesca) revista Veja. Sempre o achei completamente conservador e reacionário, mas nunca o considerei burro. Nunca fui de acusar uma pessoa de burra só por que o ponto de vista dela é diametralmente oposto ao meu. Pelo contrário: reconheço a inteligência de um Hegel, apesar de abominar sua filosofia da História; adoro ler C.S. Lewis, mesmo não simpatizando com sua carolice religiosa; elogio a Rede Globo, tão detestada pelas "esquerdas" do Brasil, quando faz programas de dramaturgia de qualidade (coisa rara hoje em dia). Elogio até a Veja e Azevedo quando eles merecem. Isso por que gosto de acreditar que pessoas "proeminentes" de nossa sociedade, só conquistaram espaço depois de ter vencido desafios inúmeros, o que atestaria, no mínimo, que tais indivíduos merecem ser ouvidos. Mas o que dizer de dois textos publicados pelo citado jornalista recentemente? Na verdade, creio que o primeiro deles, onde critica a decisão do STF de dar aos casais gays os mesmos direitos que os héteros, não merece ser criticado, pois é até uma posição defensável. Mas no segundo, onde critica o Kit Anti-homofobia, Azevedo fala tantas imbecilidades (coisas burras mesmo, como quando escutamos no ônibus pessoas semi analfabetas emitindo opiniões sobre assuntos que não dominam) que cheguei a duvidar seriamente de seu estado mental na hora em que escreveu o texto.
Azevedo ataca um tal de Leandro Colling, que seria professor de uma universidade federal e que defendeu o Kit em texto publicado no jornal Folha de São Paulo. Por ser contra à distribuição do material do MEC, Azevedo distorce as palavras de Colling, fazendo parecer que o docente é um imbecil. O irônico é que suas próprias observações demonstram, vergonhosamente, o quanto ele desconhece do assunto, fazendo confusões constrangedoras entre termos, como "heterossexualidade" e "heteronormatividade", coisas completamente diferentes.
Em seu texto Colling afirma que: "nós não temos possibilidade de escolha, pois a heterossexualidade é compulsória. Desde o momento da identificação do sexo do feto, ainda na barriga da mãe, todas as normas sexuais e de gêneros passam a operar sobre o futuro bebê. Ao menor sinal de que a criança não segue as normas, os responsáveis por vigiar os padrões que construímos historicamente, em especial a partir do final do século 18, agem com violência verbal e/ou física. A violência homofóbica sofrida por LGBTTTs é a prova de que a heterossexualidade não é algo normal e/ou natural. Se assim o fosse, todos seríamos heterossexuais. Mas, como a vida nos mostra, nem todos seguem as normas.” 

Azevedo, num dos parágrafos mais estúpidos que eu já li de um jornalista "sério" em toda minha curta vida, procura desqualificar os argumentos do tal professor, mas sem apresentar nenhum contra-argumento. Vejam só: "Se bem entendi, as grávidas também terão de ser vigiadas. Tão logo o ultrassom aponte o sexo do bebê, os pais dos meninos comprarão roupinha cor-de-rosa para contestar a “heteronormatividade”, e os das meninas, azul. Assim que o Júnior nascer (o nome será proibido), ganha uma boneca, que não será “heteronormativa” nem “louronormativa”. Que tal uma cafuza ou mameluca, vestida com as roupas do Ken? Num raciocínio de rara delinqüência intelectual, ele conclui que, se a heterossexualidade fosse normal e/ou natural, não haveria homossexuais… E ele é professor universitário!!! É… Nas outras espécies animais, não se debate outra coisa: como acabar com a heteronormatividade dos cães, dos golfinhos, dos gatos e  dos pica-paus…"

Não, Reinaldo, você não entendeu bem mesmo... Precisaremos desenhar para que você compreenda, ou está só se fazendo de burro? Apesar de suas piadas, a identidade de gênero é a primeira e mais fundamental identidade de uma pessoa. Antes de nascermos, antes de termos um nome, já temos um sexo definido e nossa vida já é projetada pelos nossos pais baseada em nosso sexo. Pessoas que rompem esse padrão, são duramente reprimidas pela própria família e pela sociedade. Apesar de seu tom de ridículo, como se esse assunto não fosse sério (com certeza faz isso para ir de encontro daqueles que dizem que esse tema é algo menor e sem importância), é um fato que é dever do Estado zelar por todas as pessoas. Combater a heteronormatividade é ajudar as pessoas a entender que diferentes identidades de gênero podem ser aceitas e assimiladas e, diferente do que foi dito, não é fazer patrulha na maternidade. Nos países onde casais gays adotam filhos, as crianças adotadas são criadas com um sexo definido. A diferença é que os pais não delimitam a esses filhos o que eles devem ou não fazer devido ao seu sexo ou à sua sexualidade. Não compreender isso e distorcer as palavras alheias só pode ser pilantragem ou burrice. Nunca cri que Reinaldo Azevedo fosse tão burro assim. Será que me engano? 
Há fortes indícios de que possa ter me enganado mesmo. Talvez por achar que esse tema seja um assunto "menor", o jornalista de Veja nunca deve ter se interessado em ler trabalhos filosóficos, sociológicos ou históricos sobre a sexualidade humana, em especial a homossexualidade. Isso fica latente na passagem em que diz os animais "não debatem outra coisa: como acabar com a heteronormatividade dos cães, dos golfinhos, dos gatos e dos pica-paus..."
Para quem acusa os outros de "raciocídio intelectual delinquente", Azevedo pareceu uma criança de 10 anos em sua argumentação. Aliás, dá para chamar isso de argumento? Há uma terrível confusão entre heteronormatividade e heterossexualidade. Heteronormatividade é o pressuposto social de que todas as pessoas sejam heterossexuais. Quando vemos as pessoas na rua, sempre achamos que ela é heterossexual, exceto se ela for afeminada. Se vemos um homem másculo na rua, sempre imaginamos que ele gosta de mulher. Quando temos um filha, já projetamos toda sua vida, inclusive o dia do casamento, quando ela entra de branco na igreja com seu noivo à sua espera. Nunca paramos para pensar que o filho ou a filha pode não ser heterossexual. A homossexualidade é vista como desvio de caráter, como degenerescência, ou como um problema "dos outros". Ninguém acha que haverá gays em sua família, só na dos outros. Combater a heteronormatividade é, portanto, ensinar a sociedade a se preparar para um eventual filho ou filha homossexual, ou para um vizinho travesti, ou uma irmã lésbica. Não se trata de dizer às pessoas que devem educar seus filhos para serem gays, como espalham alguns mentirosos. Na verdade, isso é justamente o que o movimento gay combate: a interferência dos pais na sexualidade dos filhos. Os gays são acusados por hipócritas como Bolsonaro, Garotinho e Azevedo, de fazer o que a sociedade heteronormativa faz: pressionar indivíduos a terem determinados padrões sexuais. O gay foi aquele que sofreu toda sua vida por que tem a sua sexualidade não compreendida pela sociedade, por que cargas d´água ele iria querer que fizessem isso com outras pessoas?
No mais, senhor Azevedo, não passe vergonha em público: animais não possuem heteronormatividade, pois eles não constituem sociedades ou culturas no sentido humano. Uma gata que dá à luz dez filhotes, não vai rejeitar um deles só por este se envolver com um outro gato macho. Que existe homossexualidade no reino animal, isso é fato! Inclusive os golfinhos, os quais o senhor citou em tom de pilhéria, muito frequentemente acasalam-se com outros de sua espécie e do mesmo sexo em diferentes partes de sua vida. O senhor confunde o termo heteronormatividade (um termo super novo) com heterossexualidade (palavra antiga, do século XIX). Em todas as espécies a heterossexualidade é hegemônica, mas a heteronormatividade (ou seja, a heterossexualidade compulsória) e a homofobia (aversão aos relacionamentos sexuais homossexuais) só existem em uma espécie, a nossa. Aliás, complementando, poderia dizer que a homossexualidade, mesmo minoritária, é encontrada em todas as espécies de animais, mas a homofobia, só em uma, o homo sapiens. É por isso, senhor Azevedo, que "golfinhos gays" não estão nadando por aí fazendo protesto para serem respeitados, pois desconhecem, em sua animalidade, o escárnio que nós, humanos (ironicamente não animais), lançamos contra nossos semelhantes.
Diante desse quadro, o Kit-Anti homofobia é muito bem vindo sim! Se ele é contra a heteronormatividade? Sim, é! É contra a heterossexualidade? Não! Ele serve para ensinar os alunos homofóbicos que o coleguinha gay não merece desprezo. E serve, principalmente, para melhorar a autoestima dos próprios alunos gays, que já existem na educação infantil, por mais que a sociedade goste de fingir que não.
Vamos combinar uma coisa senhor Reinaldo: que tal calar a boca quando o senhor é um tapado no assunto? Burro o senhor nunca me pareceu. Conservador sim, burro não! Prefiro, então, crer que gosta de ser do contra só por causa do seu ego, que, com certeza, é bem maior do que seus conhecimentos sobre sexo e gênero.

Jô Soares entrevista Maria Berenice Dias



Entrevista interessantíssima de Maria Berenice Dias no Jô Soares.

sábado, 4 de junho de 2011

Passeio no Corcovado

Tarde do dia 04 de Junho com meu irmão e minha cunhada, que vieram de SP para um casamento de uma prima aqui no Rio...
Tava friooooooooo...