Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

sábado, 14 de maio de 2011

Desenho homoerótico

Gente, olhem que fofo o que achei na net:

*-*

Mulheres: a "causa" da homossexualidade



No intervalo da aula de mestrado tive um papo interessante com duas recentes amigas que fiz, a Clarissa e a Ana Paula. É difícil não ficar viajando e filosofando no intervalo de uma aula como "Teoria e crítica da modernidade", ainda mais com uma professora que fala tanto como a Renata. Toda aula fico perdido pensando no mundo, no Estado de direito, no fundamentalismo, na política, nas relações internacionais e íntimas. Fico tentando saber se encontramos ou não a pós-modernidade ou se essa é só mais uma armadilha do mundo moderno com sua eterna efemeridade da novidade. Nunca chego a lugar algum. Mas gosto de pensar. A Clarissa e a Ana Paula adoram conversar comigo sobre isso. Coisa de historiador mesmo. Quem mais o faria? (Risos).
Na aula da última segunda feira estávamos falando sobre esse sentimento generalizado de que estamos na transição de uma era para outra. Como se estivéssemos na intersecção de dois paradigmas opostos, acotovelando-se como se fossem placas tectônicas em movimento contrário e violento; e nós, no meio disso, perdidos sem saber onde se abrigar em meio ao tremor. Como o assunto do momento é a união gay aprovada no STF, nos envolvemos no tema, incentivados ainda pelo fato de que fazemos juntos outra matéria, "Gênero no cinema latinoamericano".
Estávamos conversando exatamente sobre esse embate de forças antagônicas: "tradicionais" contra "não-tradicionais" (não encontro termos melhores no momento). Comentávamos sobre as reações de amigos, parentes e conhecidos em relação ao julgamento do STF. Clarissa contou que excluiu uma tia de um amigo por que não conseguia mais ter que ler o que ela postava no Facebook durante e após o julgamento. "Acredita que ela escreveu: 'Conseguiram esse casamento no cartório, mas o sonho deles, que é casar na igreja, nunca conseguirão HAHAHA!'", contou. Aí eu resolvi emendar: "Na igreja dos meus pais é assim também. Lá as mulheres ainda usam véu e há toda uma explicação teológica para isso. O homem anda com a cabeça descoberta por que ele é a Glória de Deus, portanto a Glória de Deus deve permanecer descoberta. Já a mulher tem que cobrir a cabeça por que ela é a glória do homem. Como o homem não é Deus e só a glória de Deus pode estar descoberta, a mulher usa véu na cabeça". Clarissa ficou espantada com a criatividade inventiva dos religiosos e todos rimos da situação. Mas a melhor história veio da Ana Paula. Ela contou que estava conversando com uma tia após a julgamento do STF e estava satisfeita por ter visto como ela estava bem mais aberta e menos conservadora. Já entendia que os casais gays podiam ter seus direitos jurídicos, como herança, pensão, participação no plano de saúde do parceiro, etc. Puxa, que avanço não? Aí vem a melhor parte, a conversa foi evoluindo e a mulher resolveu dar um palpite sobre o por que da homossexualidade estar, segundo ela, "aparecendo tanto por aí". O motivo seriam as mulheres! As garotas de hoje estariam muito "dadas", muito fora do papel que uma mulher "de bem" deveria ter. Então, consequentemente, os homens, insatisfeitos, resolveram se virar entre si. Meu caro, se tu conseguiu ler essa explicação sem esboçar nenhum sorriso, meus parabéns! Eu gargalhei! Tem que rir pra não chorar né?
Então, vocês, mulheres, fiquem sabendo: vocês são as culpadas pela Parada Gay, pelo Ricky Martin, pelos filmes do Almodóvar, pelo Boy George, pelo Andy Warhol e mais um monte de coisas. Isso por que, na Idade Média, já eram culpadas pela bruxaria, pelas crianças nascidas com deficiências físicas e também pelos pecados sexuais. Vocês são as culpadas por tudo! Daqui a pouco vão dizer que o aquecimento global se deu por que a mulher entrou no mercado de trabalho, ou que o terrorismo internacional não passa de uma reação contra a exposição da figura feminina em público. Talvez seja o caso de exterminar todas as mulheres para que o mal encarnado seja eliminado do mundo! É só o que falta!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

União estável homoafetiva é reconhecida pelo STF!

Hoje é um grande dia. Dia 05 de Maio de 2011. É a primeira vez que o Estado brasileiro reconhece a existência  de milhões de indivíduos que trabalham e pagam seus impostos como quaisquer pessoas. O Supremo Tribunal Federal ousou e, fazendo o papel que o Congresso Nacional é estúpido e covarde demais para fazer, reconheceu que as uniões afetivas entre pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos e deveres que as uniões heteroafetivas. Isso quer dizer que alguns direitos ficam assegurados: pensão, herança, declaração conjunta de imposto de renda, inclusão de parceiro(a) no plano de saúde, etc. Até mesmo a adoção de crianças pode entrar no jogo, dependendo de como os efeitos dessa decisão agirão sobre a sociedade e a justiça, e de como o nosso vagabundo Congresso vai reagir à decisão da Suprema Corte. O mais natural é que, finalmente, a inércia do poder legislativo quanto ao tema comece e esmorecer e um projeto de lei que regulamente a decisão do STF seja discutido. Ou melhor: que se faça como na Argentina e se altere a Constituição, mudando o parágrafo que diz que um casamento é a união entre "um homem e um mulher" para "duas pessoas". Custa sonhar?



O julgamento começou ontem, dia do meu aniversário.  Antes do relator Carlos Ayres Brito tomar a palavra e fazer discurso arrasador em defesa dos direitos GLBT, sete pessoas representando diferentes grupos falaram à tribuna. Cinco a favor e dois contra. Destaque negativo para o advogado da CNBB que comparou gays a bígamos, fornicadores e adúlteros. Destaque positivo para Roberto Gurgel, procurador-geral da República, que disse que o reconhecimento das uniões homoafetivas não enfraquece a família, antes a fortalece.



Apesar de estar muito otimista, jamais esperava o placar arrasador de 10 votos a zero. Um a um, cada ministro deu seu parecer favorável, com direito a muitas palavras bonitas, frases impactantes e emocionantes. Por unanimidade, finalmente eu pude ver meu país reconhecendo que eu existo de fato! Foi a primeira vez e estou na expectativa de um passo adiante no Congresso, onde quero ainda ver, um dia, a aprovação do casamento civil.
























quarta-feira, 4 de maio de 2011