Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

quarta-feira, 30 de março de 2011

Juliano Pavollini, por Cristóvão Tezza


Ouvi falar a primeira vez de Cristóvão Tezza quando ele venceu (muito justamente) o Prêmio Jabuti em 2008 por O filho eterno, livro que conta a história de um pai que precisa lidar com o filho que tem Síndrome de Down e com a consequente confusão mental que o nascimento do menino acarreta nele. Achei o tema muito interessante e fui à livraria conferir. Comprei o livro, mas estava sem tempo de ler. Dias depois voltei à Travessa e acabei achando outro livro do mesmo autor: Juliano Pavollini. Não resisti à sinopse e levei pra casa. Comecei a ler Juliano primeiro por que tenho mania de querer deixar o melhor para depois e pensava que O filho deveria ser a obra prima do Tezza. Impressionei-me com a fluência deliciosa do escritor catarinense. Prosa e poesia? Para que uma divisão binária entre esses estilos se é possível fazer os dois? Tezza é cheio de palavras bonitas, frases poéticas e com efeito. E sem cafonice. 
O Juliano do título é um jovem que foge de casa após a morte do pai. Acaba indo morar num prostíbulo da Curitiba dos anos 50, onde se torna o protegido da dona do estabelecimento. Narrado (lindamente) em primeira pessoa, ficamos íntimos da psiquê de Juliano, que conta a história já aos 20 e poucos anos com um olhar retrospectivo. Mais tarde saberemos que ele narra os fatos à uma psicóloga da cadeia onde se encontra. Enquanto Juliano vai traçando seu destino sem volta, apaixonamo-nos pela maneira como Tezza apresenta seu amadurecimento, aquela fase única da vida em que o menino vira homem, momento crucial em que temos tudo ainda pela frente, mas que pode ser facilmente destruído por uma única escolha errada (mas naquele instante não vemos isso claramente). E Juliano vai fazendo suas escolhas e realizando suas conquistas: tem sua primeira noite com uma mulher, aprende cometer pequenos furtos, apaixona-se, sente ódio, conhece o marxismo e o ateísmo, sente desejo de matar...
A concatenação de todas essas variáveis levará o protagonista, irremediavelmente, para o fim que ficamos sabendo poucos capítulos antes do ato final. E na jornada amei Juliano e sua vida. Amei os personagens tão líricos. Amei a forma de Tezza escrever, como se estivesse deslizando nas nuvens. Depois de terminar o livro parti para O filho eterno, mas o mestrado ainda não me deixou avançar muito. Do pouco que li, estou adorando. Acho que tenho um novo escritor para chamar de Grande! Grande Cristóvão Tezza!!!

Um comentário:

  1. Tiago, o selo vc coloca no seu blog para ser visto por quem acessa. E se existirem outros blogs q vc acha que merecem recebê-lo tbm, pode indicar.

    Abração!!!

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