Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal é só mais um dia 25


Vou dizer o que acho do Natal. Uma festa decadente e melancólica. Hipócrita em seus ideais, depressiva em seus efeitos. Depois de um ano de labuta, a festa natalina envolve a todos em uma bruma de falsa ansiedade e alegria. Todos fazemos votos de felicidades, planos para o próximo ano e fingimos que amamos uns aos outros. O Natal, junto com o fim do ano, traz à nossa mente a reflexão; afinal,  é um ciclo que se fecha. Nos questionamos sobre nossas amarguras e dissabores ao longo dos últimos 12 meses e ficamos tristes quando percebemos que aquela alegria toda é passageira e pueril. O amor ao próximo só existe até a meia noite do dia 25, depois disso nossa máscara cai e voltamos a ser os velhos egoístas e materialistas de sempre. Dizem por aí que o feriado seria uma festa para comemorar o aniversário de um tal profeta fundador de uma tal religião. Mas a única religião que é realmente celebrada é o Capitalismo, que engoliu todo e qualquer sentido que a tal data festiva teve ou poderia ter. Natal é época de frequentar o shopping center, não igrejas ou templos. É época de reconectar a alma à nossa rede de cartão de crédito interior. Época das promoções, queimas de estoques. Tudo isso por amor ao próximo. Amar ao próximo significa gastar muito dinheiro com ele. Mesmo que seja em suaves prestações!
E a melancolia? No hemisfério norte a farsa é mais convincente, pois há aquele frio cortante e aquela neve todinha. No Brasil fica tudo ainda mais falso e ridículo. Calor de 40 graus e as pessoas tendo que inventar um clima intimista onde não há. Enfeitamos nossas casas de praia com renas e gravuras de bonecos de neve e decoramos as paredes com a imagem de um velho gordo com uma roupa vermelha que só serviria para usar na Sibéria. Tudo muito natural. Completa o circo a reunião de família, onde todo mundo descobre que se ama, mesmo que por poucas horas, para depois o ódio voltar a reinar durante todo o próximo ano.
Não me admira que digam que o Natal faz subir e muito as taxas de suicídio. É uma época em que as pessoas se lembram das famílias e amigos e, consequentemente, dos problemas e mágoas não resolvidos. Lembram-se que seu ano foi péssimo, que o chefe não deu a promoção que elas tanto almejavam e mereciam e que o próximo ano pode ser igual ou pior. Vulneráveis, essas pessoas acabam tendo seu espírito abatido, pois no momento que mais precisam, descobrem que esse ambiente amoroso e acolhedor do Natal não passa de faz de conta. Ninguém quer saber dos seus problemas não, seu mané. O mundo é mau. O dia 25 de Dezembro só serve para alavancar as vendas. É tudo oportunismo. A alegria é falsa, o intimismo forçado é falso, mas a tristeza travestida de melancolia chique, essa sim é bem real, e vai continuar te acompanhando no dia 26... e também no dia 27... 28... vai chegar o novo ano (que não tem nada de novo) e será a sua velha vida de volta. 
É triste, mas é a vida real.


Espero que o seu dia 25 seja feliz. É um dia como outro qualquer, não se esqueça! Feliz dia 25, pois todos os dias merecem ser felizes!!!!

2 comentários:

  1. Meu melhor Natal foi um que eu passei com minha mãe, sozinhos, nunca vou me esquecer desse dia. Mamãe gostava do Natal e foi o único ano que eu senti o verdadeiro sentido do amor entre minha mãe e eu. O pior Natal, foram quase todos os outros, com a família falsa da minha madrasta. Meu pai era muito querido, todo Natal reunia a família dela toda lá em casa. Depois que ele morreu NUNCA MAIS OUVI FALAR DE NINGUÉM , NEM DA MINHA MADRASTA. Esse Natal vou passar com a família da minha ex-noiva, família que me adotou, tem minhas cunhadas, seus filhos,seus dois netinhos(minha cunhada Cristiane já é avó aos 43 anos) minha ex-sogra, todas as pessoas que eu amo e tenho certeza que eles me amam.Vou ligar pra minha irmã, ela passa o Natal com a família do marido, confesso que não gosto muito deles, só da minha irmã de seus dois filhos e da sogra dela, mai ninguém. Um Natal péssimo foi um que eu passei na casa da minha ex-sócia, só rolava muuuita falsidade, e nem me dava conta de que me tratavam só com interesse puro. Então, meus Natais foram em altas e baixas, mas desde que resolvi ser mais feliz, nada mais levo em conta. Meus pais morreram perto da época do Natal, foi uma barra, mas só o tempo cura as feridas, uma grande saudade pinta. Mas quando eu pego as crianças no colo( Gustavinho e Guilherminho), quando fico conversando com as outras "crianças"(meu afilhado, de 22, seu irmão de 18, e sua irmã de 24) minhas cunhadas - relembrando a época que todo mundo era vizinho, com a mãe delas, a Dona Selma( minha primeira aluna de alemão e a pessoa que me converteu ao Budismo), quando tudo isso acontece, essa época de Natal me traz alegria.

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  2. Muito Bom Thiago.... exatas e realistas palavras...
    Divulguei teu blog' no meu fotolog
    http://www.fotolog.com.br/ag_camila/79174924

    Beijo moço...
    =*

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