Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

domingo, 26 de dezembro de 2010

Homofobia brasileira... até quando?

Demorei a ter coragem o suficiente para tocar nesse assunto. Fiquei triste, deprimido e arrasado com o acontecimento. Já tem um tempo que aconteceu, foi durante a Copa do Mundo desse ano, logo após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim. Um jovem adolescente de 14 anos, Alexandre Thomé Ivo Rajão, foi brutalmente assassinado em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Seu corpo foi encontrado todo desfigurado, cheio de sangue e hematomas, com sinais de estrangulamento e tortura. O motivo do crime? Homofobia!
Você sabe o que é homofobia? Ser homofóbico é não entender, não conseguir respeitar ou olhar sem repulsa para homossexuais, bissexuais e transgêneros. A homofobia é a incapacidade de entender o outro na sua diversidade sexual, levando, em alguns casos, à violência (simbólica ou física) e à morte. Infelizmente, o caso de Alexandre foi um desses últimos. De acordo com as investigações, Ale e seus amigos (gays assumidos) foram assistir ao jogo do Brasil na casa de uma amiga. Essa amiga também convidou um grupo de amigos que, segundo dizem, era simpatizante do movimento skinhead. Chegando lá ocorreu uma briga entre o grupo de Ale e esse outro grupo de rapazes. Agredidos, Ale e seus amigos foram à delegacia e prestaram queixa contra os agressores, retornando à festa logo após o ocorrido. De madrugada, por volta das 2:30 da manhã, Ale resolveu deixar o local e quis voltar para casa. Foi visto pela última vez no ponto de ônibus. Ao amanhecer do dia 21 de junho de 2010 ele foi encontrado morto, abandonado em um terreno baldio. 
Chocado com o ocorrido, comecei a acompanhar o caso pela internet. Minha dor e indignação pareciam que não poderiam ser maiores, mas, para meu próprio espanto, o caso não parou de me chocar cada vez mais. Navegando pelo Orkut eu me deparei com uma comunidade bizarra que foi feita contra a vítima. Isso mesmo que você leu, foi feita uma comunidade CONTRA a vítima chamada "Deveria ter apanhado mais". A descrição da comunidade começava com uma citação da Bíblia (sempre ela), do livro de Provérbios capítulo 19 e versículo 18, onde se diz que os pais devem corrigir os filhos enquanto há esperança. Seguindo o texto, dava-se a entender que Ale tinha sido morto por se envolver em brigas de rua com gangues que disputavam pontos de prostituição. A conclusão era de que se os pais tivessem batido mais nele, ele teria sido um menino melhor e não estaria se prostituindo na rua.


Cliquem nos print screens abaixo para lerem em detalhes os absurdos que escreveram contra Ale.




É claro que a comunidade era uma ironia macabra. O que seus autores (covardes que se escondem por trás do anonimato da internet) queriam dizer é que os assassinos (talvez eles próprios ou seus comparsas) deveriam ter batido mais na vítima antes de matá-la. Deveriam ter torturado mais o menino, humilhá-lo mais, por que é isso que eles acham que toda "bichinha" merece. Como se não bastasse, inventaram que ele se prostituía, colocando um link falso no perfil da comunidade. Os tópicos fazem ofensas horríveis ao pobre menino, desrespeitando sua memória, a dor dos parentes, zombando de sua morte brutal e conclamando as pessoas a fazerem o mesmo com outros homossexuais.





No meio desse show de horrores, surge uma heroína, o tipo de pessoa que só aparece em determinadas circunstâncias. A mãe de Alexandre, Angélica Ivo, partiu para a luta. Com um misto de dor e determinação, vem aparecendo em vários momentos na mídia para defender a punição para os três acusados que, devido ao habeas corpus, estão em liberdade. Sob sua supervisão e com ajuda de amigos, parentes e entidades de defesa dos direitos GLBT e dos direitos humanos, ela já realizou dois atos públicos em memória do filho. O mais recente, realizado no início desse mês, ocorreu em frente ao fórum onde acontecia mais uma audiência sobre o caso. Algumas fotos dos dois atos estão logo abaixo: 










 

As fotos abaixo são do início de Dezembro, durante o segundo ato:









Mas não parou por aí! O ano de 2010 foi o ano em que a mídia resolveu perceber, finalmente, que a violência homofóbica existe e que deve ser noticiada. Foram vários os casos que chamaram a atenção da imprensa nos últimos anos, em especial no ano de 2010. 
Há três anos o jovem Ferruccio Silvestro, de 19 anos, teve o rosto desfigurado por três agressores  quando deixava uma boate gay em Niterói, região metropolitana do Rio. O estudante ficou internado por quatro dias no Hospital Universitário Antônio Pedro. Ferruccio contou que, na saída da boate, foi abordado por um grupo de rapazes. Sentindo que eles queriam arrumar confusão com alguém, o jovem contou ter ficado com muito medo e decidiu fugir da situação. Mas ele foi alcançado depois de uma tentativa frustrada de se esconder no banheiro de um bar. O jovem registrou o caso na delegacia, depois de ficar internado por quatro dias no Hospital da UFF. Segundo o jovem, só sobreviveu por que, acredita ele, os agressores o julgaram morto depois que ele desmaiou. O rosto dele ficou desfigurado e sua foto ao lado de sua mãe (que o apóia) tornou-se famosa na internet.

Há também o caso da Avenida paulista, onde um grupo de jovens foi atacado por outro que usou uma lâmpada fluorescente para agredir. Quase na mesma semana um jovem que saía da Parada Gay do Rio de Janeiro (na qual eu estive presente) levou um tiro na barriga de um militar que o chamou de "veado".


Nem as universidades escaparam dos escândalos envolvendo homofobia. E não foram universidades de fundo de quintal não, antes que alguém diga qualquer coisa. Falamos de uma Universidade de São Paulo, de uma Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e de uma Universidade Federal do Rio de Janeiro. O caso da USP ocorreu em abril. O jornal satírico "O parasita" do curso de Farmácia, publicou um apelo em que pedia aos alunos que atirassem fezes em alunos homossexuais do curso, como forma de punição por dois deles terem se beijado numa festa da faculdade. 

Ainda esse mês a UFCSPA passou por uma situação semelhante. Um e-mail com teor homofóbico circulou entre os alunos de Medicina da universidade e pregava coisas absurdas sobre como tratar futuros pacientes homossexuais: “Caros e futuros colegas, e se, somente se, a solução fosse cada um de nós, 

sensatos, tomarmos alguma atitude, qualquer atitude, no momento em que essa 
escória nos procurar para curar suas doenças venéreas, e qualquer demais praga 
que se alastre por seus corpos nojentos? Assim como eles, está na hora de 
unirmos forças e veladamente fazer o que nos couber, para dar fim, pouco a pouco 
nesta peste! No momento da consulta de uma bicha, ou recuse-se (pelos meios 
cabíveis em lei) ou trate-o erroneamente!!!”. 
A polícia federal está investigando o caso para saber quem foi o responsável pelo e-mail.

O Grupo SOMOS (de defesa dos direitos dos GLBT) fez um protesto na universidade gaúcha


Na UFRJ a homofobia ocorreu em um alojamento de estudantes no Campus do Fundão. Estudantes gays foram intimidados por colegas que se sentiram irritados por eles colarem panfletos contra a discriminação nos corredores do alojamento. Um deles foi ameaçado e tinha medo de mostrar o rosto. O outro registrou queixa por que foi ameaçado de morte.
 Acima se encontra o cartaz que deixou furiosos certos alunos da UFRJ. Abaixo os dois jovens ameaçados.


Para algumas pessoas deve ser uma novidade que essas coisas aconteçam, mas não é verdade. O número de casos nem vem aumentando, é mais provável que a mídia apenas esteja dando mais destaque a esses casos devido aos avanços do movimento GLBT na conquista de seus direitos. Isso é um bom sinal, mas é muito triste para mim acordar todo dia e encontrar na internet e na TV notícias como essas. Não vou me perguntar até quando seremos obrigados a conviver com isso, por que sei que ainda levarão décadas para que os gays possam conquistar o respeito de toda a população. Meu desânimo em escrever hoje não me deixa com forças para comentar nada. Então vou deixar o desfecho nas mãos capazes de Angélica Ivo:



Pegaram esse menino lindo...
 ... e fizeram isso com ele...

A força da mulher: acima e abaixo, Angélica Ivo

HOMOFOBIA MATA...



MAS O AMOR GLORIFICA!!!

3 comentários:

  1. Se a Lei anti Homofobia ainda não existe
    a Lei que proibe espancar e matar existe
    mas nem por isso essa corja deixa de fazer essas coisas...

    Só queria saber o que aconteceu com a comuna do Orkut e seus "inspirados" criadores/idealizadores e membros

    se bobear estão todos no mesmo lugar - com seus perfis intactos e intocados

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  2. Rita é verdade existe a lei que pune os que espacam ou matam,mais será justo esses seres pagar apenas por isso,sem serem classificados como homofobicos que são na verdade? para que vc me entenda ,vou lhe dar um exemplo,se um Negro e espancado e coisa e tal,o agresssor,não só re ´ponderá pelo ocorrido como também se ficar provado o racismo. No caso dos homossexuais,ainda não existe crime homofobicos,mas nós somos pacientes. Os negros levaram mais de uma decada para serem libertos. A proposito os agressores do garoto Alexandre Ivo,estão em liberdades esperando julgamento,pode?

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