Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

domingo, 28 de novembro de 2010

O morro inexpugnável!

Sou um carioca que já morou bastante tempo fora do meu estado de origem e cansei de saciar mentes curiosas e impressionadas a respeito da criminalidade da cidade do Rio de Janeiro. Desde Cidade de Deus que a bandidagem carioca se tornou objeto de grande interesse do grande público. E depois de Tropa de Elite, então, aí que a parada esquentou mesmo. Os paulistas, por exemplo, sempre me perguntavam, com misto de piada e curiosidade, se eu morava ou conhecia alguma favela. A Rocinha é a mais conhecida, talvez por ser a maior, ou talvez por sua localização: no coração da badalada Zona Sul da cidade.

Como todo carioca sempre acreditei que o Morro do Alemão e seu complexo de favelas era o grande símbolo da criminalidade carioca. Inexpugnável! Era essa a palavra que me vinha à cabeça quando pensava no Alemão e no seu poderio bélico. Mas tudo ruiu, diante dos meus olhos e de milhões de pessoas ao redor de todo o Brasil. O cerco da Vila Cruzeiro e a posterior ocupação do Complexo, que aconteceu hoje pela manhã, causou assombro e admiração de todos! Nunca pensei ver o traficante Zeu ser vaiado e ridicularizado pelos próprios moradores da comunidade como vi agora pouco. O morro da morte caiu! E com ele, o poderoso Comando Vermelho sofreu um dos maiores revezes de sua longa história. Se a polícia souber aproveitar o momento, o CV pode não se recuperar nunca mais. É claro que sei que o desafio é maior do que se supoe. Essa facção domina o maior número de favelas da Grande Rio, o que indica que ela pode subsistir por muito tempo, mas todos sabemos que o Alemão era o grande Quartel General do grupo. Pode ocorrer de os Amigos dos Amigos (ADA) e do Terceiro Comando Puro (TCP) se aproveitarem para atacar outras favelas dominadas pelo CV, uma vez que o grupo está , virtualmente, acéfalo. Conflitos entre as facções podem causar mais violência e mortes. Mas pode ocorrer o oposto: as outras facções podem optar pela discrição, uma vez que não é difícil chegar à conclusão de que o melhor no momento é evitar estardalhaços e conflitos com a polícia.


Fica a questão: aproveitaremos essa oportunidade? Ou será que a emocionante imagem das bandeiras brasileira e carioca flamulando no ponto mais alto do morro não passará de memória esquecida? Desejamos que a paz saia vitoriosa e a paz só pode ser assegurada, nessas circunstâncias, com uma guerra. Mas que seja uma guerra justa, uma guerra que evite o massacre, que minimize o máximo possível a dor e o sofrimento. 

Parabéns à polícia, às forças armadas, ao secretário de segurança José Mariano Beltrame e ao povo brasileiro que venceu essa grande batalha! Mas não podemos jamais esquecer: a guerra continua! Se nós vacilarmos, perderemos!


Para o Rio de Janeiro e para o Brasil todo o meu amor!


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