Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os gueis e a diversidade

Grupos que sempre sofreram perseguição ao longo da História, tendem a sofrer com estereótipos maldosos. Os negros foram (e são) obrigados a conviver com sua associação com a bandidagem e a pobreza. As mulheres, por sua vez, tradicionalmente são representadas como se fossem o "sexo frágil", donas do lar, sofredoras resolutas e incapazes de liderar, atributo dos homens. Outros grupos, tidos como superiores, também são estereotipados (afinal de contas tudo recebe no mundo recebe uma etiqueta), mas com adjetivos positivos. O sexo masculino sempre recebeu as qualidades de guerreiro, forte e dominador. Os europeus, até hoje, ainda povoam o imaginário dos brasileiros como se fossem refinados, cultos e como exemplo e modelo de civilização. Quando se fala em Europa, lembramos logo de Londres, Viena, Copenhagem. Ninguém lembra da Albânia. E se falam em Paris, logo pensam na Torre Eifel, no Louvre ou na Euro Disney e não nos subúrbios lotados de franco-argelinos rejeitados.




Lutar contra um estereótipo é compreensível e justo, principalmente quando o grupo marginalizado sofre no seu dia a dia com as ofensas. É nesse sentido que gays estão, a cada dia, buscando alternativas para acabar com a visão que a sociedade tem deles. Retratados na TV como se fossem ou afeminados cômicos (vide Zorra Total) ou como machões assexuados (vide certos casais gays de novelas globais), os homossexuais lutam para acabar com a idéia de que sua sexualidade define seu gosto musical, seu jeito de vestir, de pensar, falar e agir. Acho que é essa a idéia do vídeo abaixo:





Com esse objetivo de desconstrução na cabeça, foi criado o concurso Mister Brasil Diversidade. A idéia é premiar o guei que for, simultaneamente, mais bonito e mais antenado com a causa LGBT. Além disso, os idealizadores buscaram candidatos que fugissem ao estereótipo. Talvez por isso há, entre os candidatos, um bombeiro, um policial, um personal trainer e até um pecuarista. O resultado foi bem interessante. Se continuar assim, acho que esse concurso pode ser mais importante que o Miss Gay Brasil, que se parece mais com um concurso de Miss versão GLBT. Gostei tanto que vou documentar aqui os candidatos.

ANDERSON PORTO (SANTA CATARINA)




CARLOS GIFANI (MATO GROSSO DO SUL)








EDUARDO LOPES (BRASÍLIA)



ISAÍAS VASCONCELOS (ESPÍRITO SANTO)


JEFFERSON FIGUEIREDO (PARAÍBA)


MARCELO RODRIGUES (RIO GRANDE DO SUL)


MAURÍLIO NETO (MARANHÃO)



MURILO DE ABREU (MATO GROSSO)

PAULO RENAN (BAHIA)






RICARDO BENTO (PARANÁ)

RICARDO BORGES (MINAS GERAIS)

RODRIGO MASSAHUD (RIO DE JANEIRO)

THIAGO SALATIEL (PARÁ)







THULYO VIEIRA (GOIÁS)


VINÍCIUS DIAS (ACRE)


VITOR ABADLLA (SÃO PAULO)







WELLINGTON NASCIMENTO (ALAGOAS)


Um dos candidatos, um policial de Uberlândia, chegou até a sofrer com a discriminação no trabalho, mas respondeu à altura. Parabéns para ele:







E aqui imagens do Campeão no pódio. Muito merecido:






Não sei o que foi perguntado para cada um, e o que cada um disse sobre o PLC 122 ou sobre o Projeto de Lei 1.151/95 e espero que eles tenham se saído muito bem na hora de falar. No quesito beleza exterior, que foi a única coisa que pude avaliar, gostei muito do candidato de Santa Catarina (os/as catarinenses são sempre muito bonitos/as), do candidato de São Paulo e do candidato de Brasília. O daqui do Rio era particularmente estranho, mas, mesmo assim, ganhou o prêmio popularidade (votação popular), o que reforça minha opinião de que homem bombado é o point do momento. Definitivamente não gosto disso, mas cada um cada um.
Fiquei feliz com a vitória do paulista e achei injustiça o catarinense e o brasiliense saírem sem nenhum prêmio. Uma pena. Em segundo lugar ficou o acreano e em terceiro o bahiano.
Para fechar, gostaria de destacar que há um porém dessa coisa toda de “morte aos estereótipos”. Todo estereótipo nasce de uma caricatura. E toda caricatura é uma versão pobre e sem critérios quando falamos de grupos perseguidos. No entanto, essas caricaturas possuem algum equivalente real, mesmo que a essência esteja deturpada. Gays afeminados existem. Há, inclusive, um enorme preconceito contra eles dentro do meio gay. São odiados como se fossem os responsáveis pela discriminação. Parece-me um absurdo. Seria o mesmo que os negros acusarem criminosos negros de serem os responsáveis pelo racismo. Ainda falta muito para que os próprios gays entendam o que é diversidade. Se já entenderam que gostar de outro homem é normal e que o problema está na sociedade que estabelece arbitrariamente o certo e o errado, então por que não percebem sua própria arbitrariedade em dizer que o gay masculino é o correto?
Sonho ainda em ver gueis na TV que sejam retratados com profundidade. Com defeitos, qualidades e dramas diários e não com o único objetivo de divertir o público heterossexual com seu jeito debochado e auto-satírico. A TV faz deles bobos da corte. Isso não é inclusão. É sátira. E maldosa.
É por isso que vou postar aqui vídeos e fotos de dois garotos gueis (e afeminados) que participaram de um outro concurso guei, o Miss Gay Brasil 2009. Os dois representam aquilo que alguns gueis machistas não querem ver na frente, mas que são tão merecedores do nosso respeito como qualquer um.
Esse tal de Thalys Podolvisky (nome artístico, pasmem) é bem engraçado. Não por ser afeminado, mas por se levar a sério demais. Bonito? Sim. Mas não se encaixa no padrão guei machão que está dominando as paradas. Achei ele uma graça. Vai lá, me dá um desconto:









Esse outro é o Lucas Gondin. Bem afeminado. Simpático. Os preconceituosos que se danem! Olha ele aí:








Para finalizar, já que estou no clima de Direitos Gays Já, vou postar um vídeo que gosto muito. Faz parte de uma campanha do governo da Holanda para conscientizar a população de que gueis podem adotar filhos e os criar com amor e dignidade. Agora me digam se não é encher os olhos d´água...

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