Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A frase que resume as eleições de 2010

"Votará em Dilma quem gostaria de votar em Lula e não se incomoda em lhe passar um cheque em branco. Em Serra, quem não vota em Lula e no PT de jeito nenhum. E em Marina, os sonhadores." (Ricardo Noblat).

Por isso que decidi votar nulo para presidente. Essa foi a pior eleição que eu tive o desprazer de acompanhar desde que aprendi a gostar de política. Não há propostas, não há aprofundamentos, tudo foi nivelado por baixo. Três candidatos horríveis e nenhuma esperança, só a de que, quem sabe, a coisa possa dar certo sem querer...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DHAMMAPADA

Comprei e acabou de chegar pelo SEDEX o Dhammapada, o principal livro do budismo theravada. Me apaixonei por alguns versos que ficarão para sempre no meu coração.

Estrofe 165:   Por si mesmo é, na verdade, o mal feito; por si mesmo
alguém se contamina.
Por si mesmo o mal é deixado de ser feito; por si
mesmo, na verdade, alguém purifica.
Pureza e impureza (dependem) de si mesmo;
ninguém pode a um outro purificar.

Estrofe 190: Aquele que tenha ido ao Buda, ao Darma, e à Ordem
Estrofe 191: como refúgio,
Vê com plena sabedoria as Quatro Nobres Verdades:
O sofrimento, a origem do sofrimento, a cessação do
sofrimento,
E o Nobre Caminho Óctuplo que conduz à cessação
do sofrimento.

Estrofe 192: Este, na verdade, é um seguro refúgio, este é o melhor
refúgio;
O homem se liberta de todos os males
tendo vindo a este refúgio.

Tathagata



HOMENAGEM A ELE, AO AFORTUNADO, AO CONSUMADO,
AO PERFEITAMENTE ILUMINADO

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COISAS QUE ME FIZERAM RIR ESSA SEMANA!!!!



VOTAREI NA DILMA POR FALTA DE OPÇÃO, MAS ADOREI ESSE VÍDEO TUCANO METENDO O PAU NELA. ADOREI A VOZ QUE COLOCARAM PARA DUBLAR A FALSA DILMA, FICOU MUITO BEM FEITO E ENGRAÇADO: "MEU FILHO, MAS EU SOU AMIGA DO PRESIDENTE"!!! HEHEHEHEHE!! ESSA CAMPANHA ESTAVA TÃO MORNA, AINDA BEM QUE ESQUENTOU NA RETA FINAL!!!! HAUAHUAHAUA!!! HILÁRIO


ESSA IMAGEM REPRESENTA PERFEITAMENTE A COERÊNCIA BÍBLICA!!!! HAUHAUAH

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A hipocrisia da imprensa brasileira


Creio não existir imprensa mais hipócrita no mundo do que a nossa. Nossos jornalecos e revistazinhas de quinta categoria não perdem a oportunidade de, como bons fariseus que são, se auto-intitularem defensores da democracia. Ao longo do governo Lula isso tem sido muito freqüente. Não é segredo para ninguém que o PT e seu mandatário barbudo, ex-operário e ex-sindicalista possuem uma "quedinha" pelo esquerdismo de tipo bolivariano. Aquele velho discurso de "governar para os pobres" associado a um revanchismo contra "a direita", identificada, às vezes, com parte da imprensa. Disso ninguém duvida. Só mesmo um petista roxo nega a tendência radical do partido. Mas e a imprensa? É sempre vítima ou se faz de vítima? Eu já respondo de cara: ela é, em geral, tão hipócrita quanto o petismo, e sua hipocrisia reside, justamente, em dissimular suas verdadeiras aspirações em pretensa defesa da democracia.
Duvidam? Então leiam abaixo parte do editorial que o jornaleco Folha de São Paulo publicou recentemente:

"ARROGÂNCIA DE SEMPRE: Relações de representantes do PT com a imprensa mais uma vez repetem, no caso Erenice Guerra, um padrão inaceitável de conduta


A candidata Dilma Rousseff reagiu com expressões veementes, no debate Folha/Rede TV! deste último domingo, a uma pergunta sobre as recentes denúncias de tráfico de influência envolvendo o filho de sua principal assessora, e atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.
"Eu não concordo, não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha."
Dirigindo-se diretamente à jornalista, prosseguiu. "Você acha correto responsabilizar o diretor-presidente da tua empresa pelo que foi feito pelo filho de um funcionário dele?"
Beneficiada pela regra que proíbe réplicas dos jornalistas, Dilma Rousseff não apenas se esquivou de tratar dos pormenores do caso, como também fez uso de um subtexto frequente nas relações de petistas com seus entrevistadores.
Com efeito, é comum que tratem o jornalista não como alguém investido da função democrática e pública de questioná-los sobre temas incômodos, mas como uma espécie de funcionário a serviço dos donos de uma empresa.
Perguntar sobre um escândalo envolvendo a administração pública e os recursos do contribuinte não seria, segundo essa visão, defender os interesses da sociedade contra os abusos dos governantes, mas simplesmente seguir as ordens de algum chefe.
Todavia, quem segue ordens de um chefe, quem mistura interesses privados a questões de ordem pública, quem age de forma subserviente, quem conspira e quem se esconde não é o jornalista nem os que administram a empresa da qual faz parte.
O comportamento é, isso sim, típico de quem sabe ter à sua volta uma corte invertebrada de assessores, militantes, bajuladores e negocistas, incapazes de qualquer tipo de manifestação crítica."

Vamos por partes. Segundo o jornal "é comum que tratem o jornalista não como alguém investido da função democrática e pública de questioná-los sobre temas incômodos, mas como uma espécie de funcionário a serviço dos donos de uma empresa." E não é?Essa afirmação me causou choque, afinal, um jornalista é nada mais do que isso: um empregado. Numa sociedade capitalista (e eu nem comunista nem esquerdista) todo mundo vira funcionário de alguém. Todo mundo tem chefe, sempre há grupos particulares envolvidos. O editorial alega ainda que "quem segue ordens de um chefe, quem mistura interesses privados a questões de ordem pública, quem age de forma subserviente, quem conspira e quem se esconde não é o jornalista nem os que administram a empresa da qual faz parte.", mas que garantias eles dão de que, assim como o PT (e outros partidos políticos), eles não misturam interesses privados a questões de ordem pública, nem ajam de maneira subserviente ou conspiracionista? Exemplos históricos de que a imprensa faz as duas coisas são recorrentes na trajetória brasileira. A própria Folha foi conivente com a Ditadura Militar, nunca recebendo censura por parte dos ditadores, uma vez que se comportava como um cordeirinho manso. Me espanta que um jornal que afirma que o jornalista é alguém investido da função democrática, não tenha feito oposição ao Regime Militar, mas faça oposição tão ferrenha ao Regime Democrático de hoje.
Como se não bastasse, é comum a imprensa afirmar, em sua defesa, que a primeira coisa que um governo golpista ditatorial faz é cercear a liberdade de imprensa, pois ela seria (como se diz muito hoje em dia) o pulmão de um regime democrático de direito. Essa é a declaração mais farisaica que já ouvi na vida. Em primeiro lugar por que ela coloca a liberdade de imprensa como uma liberdade maior do que as outras. Como se o jornalista fosse, por si só, um defensor moral da democracia. Em segundo lugar por que se trata de uma meia-verdade. Só são censurados os meios de comunicação contrários aos golpistas. Os partidários são afagados e convidados para se sentar na sala de estar dos ditadores. Isso, aliás, foi o que aconteceu durante nossa Ditadura Militar. A maioria dos nossos jornais, revistas e redes de televisão comiam nas mãos nos milicos torturadores e faziam vista grossa para o que acontecia. Alguns podem até dizer: "Mas a censura não nos deixava dizer nada". Nem todos foram censurados, alguns simplesmente nada faziam e se calavam por comodismo. Sem contar que muitos desses meios de comunicação até apoiaram o golpe militar, ajudando a tramá-lo. Os mesmos que acusam (mesmo que com justiça) o PT de Lula de bolivarianismo, foram os que ajudaram a manter nosso país 20 anos debaixo do autoritarismo.
Nem sempre a imprensa é o pulmão da democracia. Às vezes a imprensa é a própria fonte da ditadura. Qual a relação direta entre ser jornalista e ser democrático? Nenhuma! Assim como não há relação entre ser honesto e político. Em ambos os casos, é desejável que os adjetivos venham acompanhados das funções, mas, diferente do que a imprensa brasileira quer fazer parecer, são dissociáveis. Ao confundir o papel ideal da imprensa com o seu papel real, o editorial da Folha, indiretamente, coloca o periódico como juiz moral da sociedade. A imprensa pode fazer o que quiser, pode fingir ser imparcial, pode tentar prejudicar seus adversários e mentir descaradamente, uma vez que essa quebra do código de ética já está justificada à priori, pois o que importa é que o jornal cumpra seu papel de julgar. Papel esse que eles teriam recebido de sua função democrática de jornalista. O problema reside no fato de não perceberem que a função de jornalista não é democrática por si só.
Como juízes morais auto-intitulados, a imprensa, assim como faz Lula, não aceita críticas. Quando elas aparecem, são sumariamente ignoradas. Seriam silenciadas pelo próprio silêncio dos meios de comunicação se não fosse pela internet. A própria ombudsman da Folha, Suzana Singer, fez uma dura crítica ao jornal em sua coluna publicada na edição deste domingo (12) sobre o modo como a publicação vem “se dedicando a revirar vida e obra” da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. O jornal é acusado de ter dado um destaque que “não se justifica jornalisticamente” a uma questão sobre valores de contas de luz e de ignorar a reação dos leitores sobre isso no Twitter – ela diz que recebeu, até quinta-feira (9), mais de 45 mil mensagens anti-Folha. Ela destaca em seu texto que a Folha “foi à Bulgária conversar com parentes que nem a candidata conhece, levantou a fase brizolista da ex-ministra, suas convicções teóricas e até uma loja do tipo R$ 1,99 que ela teve com uma parente no Sul”.


"Tudo isso faz sentido, já que Dilma pode se tornar presidente do Brasil já no primeiro escrutínio que disputa. Mas, no domingo passado, o jornal avançou o sinal ao colocar na manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". A ombudsman diz que o problema nem era a reportagem, "mas dar tamanho destaque a um assunto como este não se justifica jornalisticamente”, diz o texto.

Singer aponta que a reportagem da Folha “dava um peso indevido ao que se tinha apurado”, ao dizer que “a propaganda eleitoral apresenta a candidata do PT como uma ‘eficiente gestora’, mas que ‘um erro coloca em xeque essa imagem’”.Completou dizendo que "essa tem que ser uma conclusão do leitor, não do jornalista."

Para ela, a manchete “forçada” da Folha, mais o escândalo da Receita sobre a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato da oposição, José Serra (PSDB), “desequilibrou a cobertura eleitoral”.

"Dilma está bem à frente nas pesquisas de intenção de voto e isso é suficiente para que se dê mais atenção a ela do que a seu concorrente, mas, há dias, José Serra só aparece na Folha para fazer "denúncias". Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo."

No Twitter foram postadas mensagens de protesto contra a maneira como o Jornal vem realizando a cobertura eleitoral. Os internautas tem postado mensagens irônicas, atribuídas ao periódico. Veja alguns exemplos:



"Serra lamenta: a Dilma me indicou o Xampu Esperança"

"Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha"

"Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: continue a escrever, rapaz, você tem talento!"

"Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4"

“Dilma conseguiu parar Itaipú no blackout em 2009 algo que nem os militares, nem Sarney, nem Collor, nem Itamar e nem FHC fizeram”

“Erro de Dilma na coordenação das obras do PAC atrasa conclusão do Coliseu romano em 2.000 anos”

“DILMA ESTAVA NO QUARTO DE RONALDO FENOMENO NO FINAL DA COPA DE 1998”

“Paul Mc Cartney diz "A FOLHA" que Dilma plantou discórdia interna no grupo e levou ao fim dos Beatles”

“Folha Revela - Dilma indicou remédio para Vanusa”

“Dilma afirmou que vai desapropriar o Pântano do Shrek”

A ombudsman acusa a Folha de ter ignorado as críticas dos leitores através do Twitter: "Não dá para desprezar essa reação e a Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O "Cala Boca Galvão" durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral on-line, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um "trending topic". Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa. A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes".
Enfim, não quero dizer que a imprensa deve ser censurada ou controlada, mas que ela não está acima do bem e do mal nem em vantagem alguma para dizer, melhor do que os outros, o que é a democracia e qual o caminho que o governo e a sociedade precisam trilhar. Na sua arrogância, a própria imprensa se esqueceu disso e agora certos jornalistas, como Reinaldo Azevedo, acreditam que são mais cidadãos do que outros só por que trabalham no jornal X ou na revista Y. No fundo nossa imprensa é muito mais parecida com o nosso presidente do que ela pensa. Ambos se julgam possuidores da opinião pública e essa briguinha não passa de uma disputada para saber quem tem mais capacidade de fazer a população de massa de manobra.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A encruzilhada do século XXI

Pastor Terry Jones

Difícil falar do mundo de hoje e ignorar o embate entre o Ocidente, herdeiro do Iluminismo, e o Islã, avesso ao laicismo. Um caso que chamou a atenção esses dias, e que lançou luzes sobre a encruzilhada, foi o do pastor evangélico norte americano, Terry Jones, que prometeu uma fogueira de livros do Alcorão, no dia 11 de Setembro (aniversário de 9 anos dos atentados contra as torres gêmeas) como protesto contra a construção de uma mesquita próximo ao local onde ficava o World Trade Center. O que dizer disso? Radicalismo? O Ocidente não é tão diferente do Mundo Muçulmano quanto pensamos?
Dia Internacional de Queima do Alcorão


Creio que as respostas são não tão simples. Em primeiro lugar, creio que Terry Jones não pode ser chamado de louco. Ele está errado e está sendo insensato, não medindo as consequências dos seus atos. Mas, como estadunidense que é, ele realmente acredita que está lutando pela liberdade, mesmo através de um ato estúpido. Se norte-americanos podem queimar a própria bandeira nacional em protestos, por que não se pode queimar o Alcorão? O Ocidente, e os EUA em particular, são muito ligados a tradições de liberdades individuais, da tolerância, da separação da Igreja e do Estado. No caso particular norte-americano, é uma liberdade protestante, individualista. A revolta de Jones se resume à seguinte pergunta: Por que só nós, ocidentais, somos impelidos à tolerância? Por que só nós temos que aceitar que os islâmicos entrem em nossos países e pratiquem sua religião, enquanto um ocidental não pode fazer o mesmo num país muçulmano?
Recentemente a Suíça proibiu a construção de minaretes nas mesquitas do país. A proibição veio através de um plebiscito popular e o argumento mais utilizado foi exatamente o de que os muçulmanos só pregam a liberdade religiosa quando são imigrantes morando no Ocidente, mas que não se lembram dessa mesma liberdade quando estão em seus países de origem, não permitindo aos estrangeiros o que obtém no exterior. É necessário ressaltar que a prática do islamismo, bem como a construção de mesquitas, não foi declarada ilegal. O próprio Terry Jones, chegou a voltar atrás algumas vezes e ainda não está claro se ele vai realizar a queima ou não.
Mesmo na sua intolerância, o Ocidente ainda é tolerante. O Islã o incomoda, o faz reagir contra seus próprios princípios de liberdade (caso da Suíça) ou o faz lutar por essa liberdade de maneiras impróprias (caso de Terry Jones), mas, ainda sim, dentro dos princípios moderados que o distinguem nos últimos séculos. O dilema é: conquistamos essa tolerância e liberdade, mas será que ela é capaz de lidar com o radicalismo dos povos que não compartilham com elas? O diálogo realmente vence o fundamentalismo religioso? Pior: enquanto nos lançamos a essas questões morais e éticas, o mundo muçulmano as ignora, uma vez que, para eles, sua sociedade não-laica está perfeita como está. Somos obrigados a dialogar e lidar com quem não quer dialogar, uma vez que não existe, para eles, a necessidade desse diálogo. É essa sensação que nos faz acreditar que a imigração islâmica é uma ameaça à nossa liberdade, pois eles usufruem de nossa tolerância para viver aqui, mas, ao mesmo tempo, procuram manter os seus valores tradicionais. Esses valores se chocam com os valores locais, criando um sentimento de medo e receio nos países que recebem esses imigrantes.




Reação de muçulmanos ao protesto de Jones nos EUA

Um caso exemplar é o da Alemanha. A comunidade gay alemã tem entrado em choque com os descendentes de turcos. As famílias turcas trazem de casa a homofobia que é muito mais forte no Islã do que nas nossas sociedades secularizadas. Os casos de agressão contra gueis praticados por membros da comunidade turca alemã explodiram nos últimos anos. Ao perceber a homofobia recrudescer ao nível de anos atrás, ativistas e simpatizantes (que são muitos num país onde o vice-presidente eleito pelo voto é guei assumido), enxergam o Islã como uma ameaça a um direito fundamental que havia sido conquistado e que volta a ficar sob ameaça (pelo menos é assim que enxergam). A conclusão que muitos já estão chegando é a seguinte: levando em conta que somos obrigados a aceitá-los em nossos países devido à nossa tolerância, mas não podemos pregar nossos valores em seus países, será que o Islamismo não vai crescer a ponto de destruir a laicidade, o secularismo e as liberdades individuais pelo qual lutamos por tanto tempo ao longo dos últimos 300 anos? O próximo passo, que é o mais perigoso, é que as pessoas se perguntem: Será que para salvarmos nossa herança moral não teremos que agir, mesmo que momentaneamente, de modo tão intolerante quanto o radicalismo islâmico, para nos protegermos? Ou seja, para salvarmos a tolerância teremos que ser intolerantes?
Atitudes como a de Terry Jones e dos suíços, já se encontram num pensamento entre a primeira e a segunda pergunta. No caso do pastor evangélico, quando sinaliza voltar atrás (mesmo que depois desminta), sua tolerância é torta, indignada, revoltada consigo mesma. No caso dos suíços, a proibição aos minaretes é uma intolerância envergonhada de si mesma, uma intolerância ciente do seu "pecado", mas ciente também, na sua visão auto-justificadora, de que o crime maior seria deixar que a ameaça à democracia (como enxergam o Islã) se propague e permita que a "verdadeira" intolerância (ou seja, o radicalismo religioso muçulmano) reine sobre todos.
Não creio que sou capaz de dar uma resposta para essa encruzilhada. Estamos perdidos, não sabemos para onde ir, o que pensar. A queda do socialismo deixou nossa geração pós-moderna sem paradigma aparente. O radicalismo religioso, no Ocidente, tem sido uma resposta rápida para as incertezas do mundo. E ele alimenta e amplifica o sentimento de guerra de civilizações, como mostra o vídeo protestante abaixo:


Imagens dos Estados Unidos. Camisetas "islamofóbicas".


Se não me sinto capaz de dizer onde essa história toda vai parar, acho que há um um aspecto que algumas pessoas não levam em consideração. O Islã, apesar de manter seu tradicionalismo quando transplantado para o Ocidente, já sofre e sofrerá ainda mais um processo de secularização. Nenhuma cultura ou religião muda de ambiente sem sofrer transformações. É até possível que esse novo Islã Ocidental, exerça uma influência sob o tradicional. O Cristianismo vai perder participação na porcentagem de religiosos, mas acho improvável que nossa laicidade esteja tão ameaçada. Isso dependerá de nós mesmos, de como vamos reagir aos novos desafios. Até porque não é só o islamismo que ameaça a laicidade. No Brasil a CNBB e diversas denominações protestantes vivem rondando o Congresso Nacional, travando pautas, tentando impedir leis, criando caso contra o Programa Nacional de Direitos Humanos (PnDH-3), que até pode ter alguns problemas, como na área rural, mas possui avanços, como a legalização do aborto e do casamento de pessoas do mesmo sexo. A laicidade é uma luta diária e sem fim e que independe do Islamismo.
 Quanto ao embate entre o Ocidente e o Islã radical, fico sem saber o que dizer. No fundo, me sinto perdido como todos os outros. Não existe diálogo com o fundamentalismo, seja islâmico ou cristão, e não sei como daremos conta da crise entre liberdade laica e tradicionalismo religioso. Um terceiro ator deve surgir desse embate. O leste da Ásia, onde reinará a China, não faz parte de nenhuma das duas culturas. Qual será seu papel? Onde budistas, hinduístas, confucionistas, taoístas e xintoístas vão contribuir? A China vai adotar os princípios ocidentais de liberdade individuais? Como será a hegemonia cultural da Ásia Leste?
Muitas perguntas e nenhuma resposta.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os gueis e a diversidade

Grupos que sempre sofreram perseguição ao longo da História, tendem a sofrer com estereótipos maldosos. Os negros foram (e são) obrigados a conviver com sua associação com a bandidagem e a pobreza. As mulheres, por sua vez, tradicionalmente são representadas como se fossem o "sexo frágil", donas do lar, sofredoras resolutas e incapazes de liderar, atributo dos homens. Outros grupos, tidos como superiores, também são estereotipados (afinal de contas tudo recebe no mundo recebe uma etiqueta), mas com adjetivos positivos. O sexo masculino sempre recebeu as qualidades de guerreiro, forte e dominador. Os europeus, até hoje, ainda povoam o imaginário dos brasileiros como se fossem refinados, cultos e como exemplo e modelo de civilização. Quando se fala em Europa, lembramos logo de Londres, Viena, Copenhagem. Ninguém lembra da Albânia. E se falam em Paris, logo pensam na Torre Eifel, no Louvre ou na Euro Disney e não nos subúrbios lotados de franco-argelinos rejeitados.




Lutar contra um estereótipo é compreensível e justo, principalmente quando o grupo marginalizado sofre no seu dia a dia com as ofensas. É nesse sentido que gays estão, a cada dia, buscando alternativas para acabar com a visão que a sociedade tem deles. Retratados na TV como se fossem ou afeminados cômicos (vide Zorra Total) ou como machões assexuados (vide certos casais gays de novelas globais), os homossexuais lutam para acabar com a idéia de que sua sexualidade define seu gosto musical, seu jeito de vestir, de pensar, falar e agir. Acho que é essa a idéia do vídeo abaixo:





Com esse objetivo de desconstrução na cabeça, foi criado o concurso Mister Brasil Diversidade. A idéia é premiar o guei que for, simultaneamente, mais bonito e mais antenado com a causa LGBT. Além disso, os idealizadores buscaram candidatos que fugissem ao estereótipo. Talvez por isso há, entre os candidatos, um bombeiro, um policial, um personal trainer e até um pecuarista. O resultado foi bem interessante. Se continuar assim, acho que esse concurso pode ser mais importante que o Miss Gay Brasil, que se parece mais com um concurso de Miss versão GLBT. Gostei tanto que vou documentar aqui os candidatos.

ANDERSON PORTO (SANTA CATARINA)




CARLOS GIFANI (MATO GROSSO DO SUL)








EDUARDO LOPES (BRASÍLIA)



ISAÍAS VASCONCELOS (ESPÍRITO SANTO)


JEFFERSON FIGUEIREDO (PARAÍBA)


MARCELO RODRIGUES (RIO GRANDE DO SUL)


MAURÍLIO NETO (MARANHÃO)



MURILO DE ABREU (MATO GROSSO)

PAULO RENAN (BAHIA)






RICARDO BENTO (PARANÁ)

RICARDO BORGES (MINAS GERAIS)

RODRIGO MASSAHUD (RIO DE JANEIRO)

THIAGO SALATIEL (PARÁ)







THULYO VIEIRA (GOIÁS)


VINÍCIUS DIAS (ACRE)


VITOR ABADLLA (SÃO PAULO)







WELLINGTON NASCIMENTO (ALAGOAS)


Um dos candidatos, um policial de Uberlândia, chegou até a sofrer com a discriminação no trabalho, mas respondeu à altura. Parabéns para ele:







E aqui imagens do Campeão no pódio. Muito merecido:






Não sei o que foi perguntado para cada um, e o que cada um disse sobre o PLC 122 ou sobre o Projeto de Lei 1.151/95 e espero que eles tenham se saído muito bem na hora de falar. No quesito beleza exterior, que foi a única coisa que pude avaliar, gostei muito do candidato de Santa Catarina (os/as catarinenses são sempre muito bonitos/as), do candidato de São Paulo e do candidato de Brasília. O daqui do Rio era particularmente estranho, mas, mesmo assim, ganhou o prêmio popularidade (votação popular), o que reforça minha opinião de que homem bombado é o point do momento. Definitivamente não gosto disso, mas cada um cada um.
Fiquei feliz com a vitória do paulista e achei injustiça o catarinense e o brasiliense saírem sem nenhum prêmio. Uma pena. Em segundo lugar ficou o acreano e em terceiro o bahiano.
Para fechar, gostaria de destacar que há um porém dessa coisa toda de “morte aos estereótipos”. Todo estereótipo nasce de uma caricatura. E toda caricatura é uma versão pobre e sem critérios quando falamos de grupos perseguidos. No entanto, essas caricaturas possuem algum equivalente real, mesmo que a essência esteja deturpada. Gays afeminados existem. Há, inclusive, um enorme preconceito contra eles dentro do meio gay. São odiados como se fossem os responsáveis pela discriminação. Parece-me um absurdo. Seria o mesmo que os negros acusarem criminosos negros de serem os responsáveis pelo racismo. Ainda falta muito para que os próprios gays entendam o que é diversidade. Se já entenderam que gostar de outro homem é normal e que o problema está na sociedade que estabelece arbitrariamente o certo e o errado, então por que não percebem sua própria arbitrariedade em dizer que o gay masculino é o correto?
Sonho ainda em ver gueis na TV que sejam retratados com profundidade. Com defeitos, qualidades e dramas diários e não com o único objetivo de divertir o público heterossexual com seu jeito debochado e auto-satírico. A TV faz deles bobos da corte. Isso não é inclusão. É sátira. E maldosa.
É por isso que vou postar aqui vídeos e fotos de dois garotos gueis (e afeminados) que participaram de um outro concurso guei, o Miss Gay Brasil 2009. Os dois representam aquilo que alguns gueis machistas não querem ver na frente, mas que são tão merecedores do nosso respeito como qualquer um.
Esse tal de Thalys Podolvisky (nome artístico, pasmem) é bem engraçado. Não por ser afeminado, mas por se levar a sério demais. Bonito? Sim. Mas não se encaixa no padrão guei machão que está dominando as paradas. Achei ele uma graça. Vai lá, me dá um desconto:









Esse outro é o Lucas Gondin. Bem afeminado. Simpático. Os preconceituosos que se danem! Olha ele aí:








Para finalizar, já que estou no clima de Direitos Gays Já, vou postar um vídeo que gosto muito. Faz parte de uma campanha do governo da Holanda para conscientizar a população de que gueis podem adotar filhos e os criar com amor e dignidade. Agora me digam se não é encher os olhos d´água...