Homem com H maiúsculo

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Por que o homem é a maior obra de arte

sábado, 6 de junho de 2009

Entre o deslumbramento e a indignação


Amantes infantes...

Desde o começo de Maio saiu na internet o trailer do filme "Do começo ao fim" de Aluizio Abranches. O filme tem causado polêmica muito antes de estrear nos cinemas brasileiros. A trama do longa se baseia na relação amorosa (e incestuosa) entre dois meio-irmãos desde a infância. O diretor destacou que não pretendeu fazer um filme gay, mas sim um filme sobre as relações amorosas na família. O duplo impacto causado no público se deve aos dois temas polêmicos tratados pelo filme: o incesto e a homossexualidade. Mas vamos ser sinceros, o segundo tema causa muito mais rebuliço do que o primeiro. O incesto já é algo muito retratado na TV brasileira. Quem não se lembra da ótima minisérie "Os maias", em que Ana Paula Arósio e Fábio Assunção (que aliás também está nesse filme) travaram um romance tórrido? No cinema tivemos um caso ainda mais "escandaloso" em "Lavoura Arcaica", onde Selton Melo e Simone Spoladore interpretam um casal de irmãos que divide entre si algo muito mais do que um amor fraternal.
Por essas e outras que eu acredito piamente que a polêmica acontece por causa da história ser protagonizada por dois rapazes. Chamamos isso de desculpa. Elegemos um inimigo, e como não queremos dizer isso abertamente, disfarçamos nosso ódio elegendo um outro inimigo, mais fácil de ser odiado. O incesto incomoda? Sim, mas se não incomodou em "Os maias", por que incomoda agora?
De qualquer forma, creio que esse filme (seja bom ou ruim) vem para preencher uma lacuna. O cinema brasileiro está muito atrasado em relação ao cinema europeu, asiático e americano, quando o tema é a homossexualidade. O cinema de retomada, apesar de todo o sucesso e diversidade de temas abordados, estava devendo nesse quesito. E olha que já começamos com um filme espinhoso. Não falamos só de homossexualidade, como também de sexualidade infantil. Muitos pais esquecem que crianças também tem sexualidade e preferem ver os filhos menores como assexuados. Colocar na telona um romance homo-afetivo infantil não deixa de ser um feito! Como reagirão os críticos moralistas, os evangélicos, o público em geral? Como será a bilheteria do filme? Eu pretendo ver na estreia, e vocês?

2 comentários:

  1. Eu já vivi isso, tudo igual a minha vida. Mas ninguem sabe ou desconfia, começou com umas caricias, depois foi se aprofundando, ficamos amantes por 3 anos, depois, casei e ele tambem, e nunca mais tocamos no assunto.

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  2. Olhando o trailer, o filme parece ser bem interessante e realmente o cinema brasileiro está carente de filmes que abordem como tema central a homossexualidade. Ultimamente, esse tema tem aparecido com mais frequência nas novelas de forma tímida, cautelosa esperando sempre a reação e a aceitação do público. Acho que este filme pode vir a contribuir por uma sociedade menos preconceituosa e discriminatória não somente em relação aos homossexuais, pois pelo fato de mostrar a normalidade e que existe outras formas de amor e de pensar contribui para mostrar que não existe só um modo de ser, uma só cor ou um só Deus, a diversidade e o diálogo levam a um caminho de mudança e conhecimento.

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