Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Chocolate preto, branco... ou os dois?


Ai, que saudade da minha infância pré-racial idílica e tristonhamente perdida! Lembro-me que fui uma criança que não conhecia o conceito de raça. Quando aparecia alguém novo, a cor era a última coisa que me chamava a atenção. Não que eu não pudesse notar as diferenças de tons de pele entre as pessoas, mas isso era uma coisa que não chamava minha atenção. Não mesmo! E olhem que eu cresci em um ambiente onde comentários racistas eram sempre entreouvidas. Passei anos ouvindo (e ainda ouço) comentários negativos em relação à negritude. Não falo aqui de afirmações duvidando da capacidade dos negros de estudarem, aprenderem, conseguirem bons empregos em cargos de liderarança. Não, de maneira alguma! As piadas eram em outro sentido. Era (e é) na estética que o racismo tupiniquim tem encontrado sua forma mais difundida.

O casal interracial protagonizado por Lázaro Ramos e Débora Falabella na TV.

Ora, poucos brasileiros concordariam que os negros são menos inteligentes ou menos capazes. Mesmo os que pensam dessa forma, não tem coragem de assim se expressar. Apesar de nosso racismo ser real, a característica brasileira de dissimulá-lo, impede que os negros possam ouvir desaforos todos os dias na rua ou que sejam agredidos fisicamente diariamente, como em outros países, onde tais atitudes levaram a conflitos sangrentos e intermináveis, com feridas que são difíceis de serem curadas. Nesse aspecto, o racismo velado à brasileira, é menos nocivo que o preconceito descarado e destruidor. Quem é gay, travesti, soropositivo, estrangeiro/refugiado em certos países (dentre outros grupos discriminados sem o menos pudor pelos agressores) sabe muito bem do que eu estou falando.

Outro casal interracial da TV brasileira, interpretado por André Gonçalves e Lui Mendes

Mas o racismo brasileiro não é nada tímido quando se trata da estética. No momento em que nós brasileiros abrimos a boca para falar sobre o que é bonito e o que é feio, muitas máscaras caem. Quando era criança ouvi uma coisa que nunca saiu da minha cabeça. Uma mãe falava sobre suas duas filhas crianças e saiu com um frase mais ou menos como essa "A mais velha deu mais sorte do que a mais nova, por que foi a única que nasceu loirinha e de olho azul, que nem a avó". Para meu espanto, esse tipo de afirmação não parecia incomodar as outras pessoas além de mim. Ficava pensando, com meus botões, como era possível ninguém perceber que, dito dessa maneira, a etnia branca parecia ser uma espécie de "raça" pura, cuja "autenticidade" se verificava pela branquitute do indivíduo. Ora, ser mestiço parecia ser algo ruim, como se fosse uma maldade da natureza ou da criação, que só concederia a graça de ser branco e louro a uns poucos eleitos. Esse calvinismo predestinacionista caucasiano é a lei máxima da estética brasileira. Basta dar uma olhada no orkut para perceber como as pessos louras são endeusadas, invejadas e, em alguns casos, metidas por fazerem parte do seleto grupo escolhido a dedo pelo deus da estética. E não adianta nenhum de nós protestar, criticar. Certa vez discutia com amigos que diziam que não sentiam atração por pessoas negras. Todos faziam questão de frisar que não eram preconceituosos e tal. Eu os questionei, dizendo que era coincidência demais os brancos "puros" serem sempre os preferidos na hora de nós brasileiros escolhermos nossos(as) parceiros (as). Afinal, você aí que não gosta de negros ou negras, sabe justificar por que?
Se tem uma coisa que aprendi é que quando temos uma opinião que consideramos consolidada e não sabemos justificá-la é por que há algo de errado: geralmente tem alguém pensando por nós. Afinal de contas, quando sabemos o que queremos, nós sabemos dizer por que. Todo ser humano tem sua beleza. Se você não enxerga é por que escolheram por você o seu gosto. Alguém poderia argumentar: "Mas eu conheço brancos que preferem negros, seriam eles racistas também?". Ora, não acho impossível que algumas pessoas prefiram um ou outro tipo, mas brancos que preferem negros são muito (muito mesmo) mais raros do que o oposto. Será que sou só eu que enxergo que tem alguma coisa errada nessa equação? Vamos curtir a vida e experimentar novos sabores... e cores? Afinal de contas, quem come de tudo não
passa fome.
Mestiço (1934) de Cândido Portinari.

Aguardem: futuramente vou discutir as cotas para negros nas universidades e a nova classificação racial do IBGE, que só enxerga negros e brancos no Brasil.

sábado, 6 de junho de 2009

Entre o deslumbramento e a indignação


Amantes infantes...

Desde o começo de Maio saiu na internet o trailer do filme "Do começo ao fim" de Aluizio Abranches. O filme tem causado polêmica muito antes de estrear nos cinemas brasileiros. A trama do longa se baseia na relação amorosa (e incestuosa) entre dois meio-irmãos desde a infância. O diretor destacou que não pretendeu fazer um filme gay, mas sim um filme sobre as relações amorosas na família. O duplo impacto causado no público se deve aos dois temas polêmicos tratados pelo filme: o incesto e a homossexualidade. Mas vamos ser sinceros, o segundo tema causa muito mais rebuliço do que o primeiro. O incesto já é algo muito retratado na TV brasileira. Quem não se lembra da ótima minisérie "Os maias", em que Ana Paula Arósio e Fábio Assunção (que aliás também está nesse filme) travaram um romance tórrido? No cinema tivemos um caso ainda mais "escandaloso" em "Lavoura Arcaica", onde Selton Melo e Simone Spoladore interpretam um casal de irmãos que divide entre si algo muito mais do que um amor fraternal.
Por essas e outras que eu acredito piamente que a polêmica acontece por causa da história ser protagonizada por dois rapazes. Chamamos isso de desculpa. Elegemos um inimigo, e como não queremos dizer isso abertamente, disfarçamos nosso ódio elegendo um outro inimigo, mais fácil de ser odiado. O incesto incomoda? Sim, mas se não incomodou em "Os maias", por que incomoda agora?
De qualquer forma, creio que esse filme (seja bom ou ruim) vem para preencher uma lacuna. O cinema brasileiro está muito atrasado em relação ao cinema europeu, asiático e americano, quando o tema é a homossexualidade. O cinema de retomada, apesar de todo o sucesso e diversidade de temas abordados, estava devendo nesse quesito. E olha que já começamos com um filme espinhoso. Não falamos só de homossexualidade, como também de sexualidade infantil. Muitos pais esquecem que crianças também tem sexualidade e preferem ver os filhos menores como assexuados. Colocar na telona um romance homo-afetivo infantil não deixa de ser um feito! Como reagirão os críticos moralistas, os evangélicos, o público em geral? Como será a bilheteria do filme? Eu pretendo ver na estreia, e vocês?

Ressuscitando o Blog...

Fiquei meses sem atualizar meu blog. Os dois principais motivos são a falta de tempo e por que eu estou sem computador. Sei que estou devendo comentários sobre o oscar de 2007, mas vou deixar para depois. Estou super empolgado com um filme brasileiro que está para sair. Chama-se "Do começo ao fim", por isso resolvi fazer alguns comentários sobre ele e sobre sua repercussão pela internet.
Vamos lá.