Homem com H maiúsculo

Homem com H maiúsculo
Por que o homem é a maior obra de arte

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

HEXACAMPEÃO

A VITÓRIA EM IMAGENS E VÍDEOS

Ave César! Quer dizer, Adriano! O Imperador dos rubro-negros!


É o Pét, é o Pet, é o Pet!


Leo Moura, muitos o criticam, mas eu confio nele! Um ídolo!


Esse cara é foda! Não é muito badalado, mas é um dos melhores jogadores do Flamengo para mim. Viva Éverton!


Irregular, mas foi muito importante para o Hexa. Valeu Juan!


Angelim é um zagueiro de raça. E de sua cabeça saiu o gol do hexa!


Willians: maior ladrão de bolas do Brasil.


BRUNO: Melhor goleiro do Brasil!!!


Esse chileno é foda. Maldonado neles!


MOMENTOS MARCANTES DO CAMPEONATO DO MENGO:

Golaço do Imperador contra Coritiba


Olímpico de Pet contra o Galo em pleno Mineirão


Golaço de Pet contra Palmeiras


Mais uma do Imperador


Goleada pra cima do Inter... 3 do Imperador, ótimas jogadas de Leo Moura e boas roubadas de Willians.


Vitória histórica sobre o Santos na Vila Belmiro


Esse é O técnico! Esse choro fez com que ele fosse efetivado. Mais tarde iria calar a boca dos críticos.


Vitória sobre o São Paulo (jogo onde eu estive presente)


Vitória do título! Mengo Hexa!


Explosão da torcida depois do gol de Angelim.


Vamos Flamengo, vamos ser campeão, vamos Flamengo, minha maior paixão é o Flamengo...

AGORA É SÓ COMEMORAR!

ATÉ ANO QUE VEM VASCO, PREPAREM-SE PARA A DERROTA.

domingo, 25 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Deus também é gay" (Thay)


Navegando na internet em uma solitária madrugada eu encontrei essa bela e emocionante declaração do Monge budista e vietnamita Thich Nhat Hanh. Eu já era fã dele e agora me tornei quase um devoto (risos). O texto original está em inglês e fiz uma tradução livre dele.

THICH NHAT HANH é um monge Zen (thien em vietnamita) budista, ativista da paz, acadêmico, e poeta. É o fundador da Universidade Budista Van Hanh em Ho Chi Minh (ex-Saigon), ensinou na Columbia University e na Sorbonne, e agora vive no sul da França, onde ele cultiva, trabalha para ajudar os necessitados, e realiza viagens internacionais ensinando "a arte de vida atenta". Marthin Luther King Jr. indicou-o para o Prêmio Nobel da Paz em 1967, dizendo "eu pessoalmente não sei de qualquer um mais digno do Prêmio Nobel da Paz que este gentil monge do Vietnã".
THICH NHAT HANH aceita a igualdade do casamento de pessoas do mesmo sexo. Na parte "Casamento" do texto Canto e Recitação de Plum Village ele escreveu: "[O casamento] se adapta apropriadamente a casais do mesmo sexo". Segue um trecho de uma conversa sobre o Dharma dada por Thich Nhat Hanh no dia 20 de julho de 1998 em Plum Village.




A pergunta: "Caro Thay, eu sinto-me muito bem e seguro aqui em Plum Village, mas houve vezes em minha vida em que experimentei discriminação, então há uma pergunta que realmente interessa-me. O que o budismo diz sobre a homossexualidade"?

Resposta: "A Discriminação é algo que muitos de nós conhecemos, e há momentos em que queremos clamar por justiça. Às vezes somos tentados pela violência como meio de se remover a injustiça. Muitos de nós procuramos meios não-violentos para extirpar a injustiça e a discriminação impostas sobre nós. Às vezes o ato de discriminação contra nós age em nome de Deus, da verdade. Podemos pertencer ao terceiro mundo, ou podemos pertencer a uma determinada raça, podemos ser pessoas de cor, podemos ser gueis ou lésbicas, e temos sido discriminados por milhares de anos. Então como trabalhar nisso, como nos libertar do sofrimento de ser uma vítima de discriminação e opressão? No cristianismo é dito que Deus criou tudo, inclusive o homem, e há uma distinção feita entre o criador e a criatura. A criatura é algo criado por Deus. Quando eu olho uma rosa, uma tulipa, ou um crisântemo, eu sei, vejo, penso, que esta flor é uma criação de Deus. Porque sou um praticante budista, eu sei que entre o criador e a criatura deve haver algum tipo de elo, de outro modo a criação não seria possível. Então o crisântemo pode dizer que esse Deus é uma flor, e eu concordo, porque deve existir o elemento "flor" em Deus de modo que a flor pudesse tornar-se uma realidade. Então a flor tem o direito dizer que esse Deus é uma flor.


Thay com Dalai Lama, duas vítimas do comunismo

As pessoas brancas tem o direito de dizer que esse Deus é branco, e as pessoa negras também tem o direito dizer que esse Deus é negro. Aliás, se você for à África, você verá que a Virgem Maria é negra. Se você não faz a estátua da Virgem Maria negra, não inspira as pessoas. Porque pensamos sobre os negros: "o negro é belo," então uma pessoa negra tem o direito dizer que esse Deus é negro, e aliás eu também acredito que esse Deus é negro, mas Deus não é só negro, Deus é também branco, Deus é também uma flor. Então quando uma lésbica pensa em seu relacionamento com Deus, se ela o pratica com afinco, pode descobrir que esse Deus é também uma lésbica. De qualquer forma, como poderíamos chegar a isso? Deus é uma lésbica, isso é o que eu penso, e Deus é guei também. E ele não se resume a isso. Deus é uma lésbica, mas também um gay, um negro, um branco, um crisântemo. É por não entender isso que as pessoas discriminam.


Plum Village, mosteiro fundado por Thich Nhat Hanh em 1982 na França, após o exílio

Quando você discrimina um negro ou um branco, ou a flor, ou a lésbica, você discrimina a Deus, que é a bondade básica em você. Cria sofrimento ao seu redor e sofrimento dentro de si, o que é engano, ignorância, constituindo a base de sua ação, sua atitude de discriminação. Se as pessoas que são vítimas de discriminação praticarem o olhar profundamente, elas dirão que compartilho o mesmo relacionamento maravilhoso com Deus, eu não tenho nenhum complexo. Esses que discriminam contra mim, fazem assim por causa de sua ignorância. "Deus, por favor perdoa-os, porque eles não sabem o que eles fazem".[Nesse trecho o monge budista inclui a frase de Cristo, fazendo um paralelo com o Cristianismo] Se você alcança esse tipo de auto-conhecimento, não irá mais ficar zangado com a pessoa que te discrimina, e talvez tenha compaixão dele ou dela. Dirá: "Ele não sabe o que ele faz. Cria muito sofrimento ao redor dele e dentro dele. Tentarei ajudá-lo". Então o seu coração se abre como uma flor e o sofrimento não está mais ali, você não tem nenhum complexo absolutamente, e você virá a ser um Bodhisattva por ajudar as pessoas que têm estado te discriminando. Essa é a maneira que eu vejo, para além de minha prática de olhar profundamente, então um dia fiz a declaração que Deus é uma lésbica, e essa é a minha iluminação interior.

Na primeira foto: Caminho para Meditação em Plum Village. Na segunda foto: Monges e leigos caminham em Plum Village.

FONTE: http://www.buddhachannel.tv/portail/spip.php?article3014
Tradução livre feita por mim.

domingo, 4 de outubro de 2009

Rio 2016


CIDADE MARAVILHOSA

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa

Coração do meu Brasil
Cidade maravilhosa

Cheia de encantos mil

Cidade maravilhosa

Coração do meu Brasil
Berço do samba e das lindas canções

Que vivem n'alma da gente
És o altar dos nossos corações

Que cantam alegremente

Jardim florido de amor e saudade

Terra que a todos seduz

Que Deus te cubra de felicidade

Ninho de sonho e de luz


RIO DE JANEIRO 2016!!!!!!!!!!!!

Lula discursa...


Lula comemora...


O Rio e o Brasil comemoram


Barra da Tijuca com a futura Vila Olímpica!


Como ficará o Engenhão

Como ficará o Maraca


ATÉ 2016!!!!

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma gota de sangue: o absurdo das cotas raciais


Quando eu digo que sou fã de alguém, é por que eu realmente acho que essa pessoa tem um grande valor para a sociedade. As pessoas podem ganhar reconhecimento por motivos muito diferentes. O esportista, por exemplo, ganha admiradores geralmente por causa da sua superação e habilidade. Um político, por sua vez, pelo legado que possa ter deixado em sua gestão. Quando digo que sou fã do sociólogo Demétrio Magnoli é por que acredito que ele é uma das poucas pessoas da academia brasileira nos dias de hoje com a cara e a coragem de fazer críticas ferozes e sem piedade contra as leis racistas e discriminatórias que ameaçam arrasar com nosso país tupiniquim. E quando falo em cara e coragem, quero dizer com isso que já se tornou necessária uma valentia heróica em combater as políticas de afirmação, visto que os críticos destas estão cada vez mais acuados, encurralados, ou mesmo, silenciados por uma trupe de racistas que os impede de falar qualquer coisa, esmagados por acusações de "elitismo" e preconceito.
Mas Demétrio Magnoli conseguiu romper essa barreira histérica dos neoracistas. Num estilo elegante e sedutor, que me lembra um outro ídolo meu, o biólogo Richard Dawkins (embora não invista na via cômica como este), o sociólogo acaba de lançar um livro delicioso que merece ser leitura de cabeceira, ao lado de outros clássicos do Novo Milênio, como Deus, um delírio. Trata-se de Uma gota de sangue: História do pensamento racial, lançado em São Paulo há poucos dias. A obra é um grito de lucidez em meio ao momento histórico em que vivemos, onde a divisão birracial (negros contra brancos) importada dos Estados Unidos parece ameaçar a sociedade brasileira naquilo que ela tem de melhor: a mestiçagem.



Há alguns meses atrás eu fui surpreendido por uma divulgação de um dos institutos de pesquisa mais respeitados do Brasil, o IBGE. Segundo essa instituição, a população negra do Brasil iria ultrapassar a população branca em breve, sendo que cada uma das duas "raças" representaria quase metade da população total brasileira. Os outros grupos, minoritários, amarelos e indígenas, representavam cifras insignificantes. O que me chocou na divulgação do IBGE foi a metodologia utilizada para se chegar ao total de negros. O instituto somou as porcentagens de pardos e de pretos (termos do próprio IBGE) e os identificou como negros, daí a porcentagem ter sido tão alta, totalizando quase metade de nós brasileiros.
Como dizem alguns amigos meus: "Pára tudo!" Peraí, quem foi que disse que pardos são apenas negros? Pelo que eu sempre entendi, ser pardo (aliás, que termo horroroso) é ser mestiço, moreno. Como os critérios de identificação de cor no Brasil sempre foram meramente os de aparência e não de ascendência, é quase impossível saber se a origem desses pardos é só africana ou também, por exemplo, indígena. Eu, por exemplo, tenho sangue africano, português e indígena. Sou mestiço e me auto-declaro moreno brasileiro. Parece que o IBGE não está satisfeito com minha auto-declaração. Eles resolveram decidir por mim e por todos os brasileiros mestiços, que somos negros e que nossos ancestrais indígenas e brancos não são tão importantes ou relevantes quanto os africanos. Agora me pergunto quem o IBGE pensa que é para determinar, sem nosso consentimento, qual a nossa cor e ascendência. Há mais um agravante: essa idéia de que uma simples gota de sangue negro torna uma pessoa negra é extremamente racista. Ela traz a sensação de que o sangue negro é impuro, que macula a "raça" branca, a qual só é verdadeiramente branca se for mantida "pura", sem misturas. De uma hora para outra o Brasil multicolor se tornou um país de brancos e negros. Somos obrigados a escolher entre os dois.




Como se não bastasse, decidiram ainda que os negros são vítimas de um complô dos brancos malvados e que, por isso, merecem ter privilégios no acesso à educação. Essas idéias vieram dos Estados Unidos, um país cuja história étnica é radicalmente diferente da nossa. A sociedade estadunidense, diferente da brasileira, foi idealizada e construída sob a idéia de “dois mundos raciais”. A luta dos norte-americanos contra a Inglaterra no fim do século XVIII levantou a bandeira da liberdade e da igualdade entre os homens, mas ironicamente, essa igualdade acabava quando o igual era um negro e em menor medida um branco não anglo-saxão e não-protestante. O século XVIII não definiu políticas de Estado que buscassem solucionar a marginalização dos afro-descendentes. Justamente essa hipocrisia silenciosa que culminará na Guerra de Secessão. Entre um conflito e outro, foram tecidas no seio da sociedade os dois mundos raciais: negros e brancos separados em todos os aspectos sociais. Na medida em que o governo, os líderes civis e a maioria da população branca não procuraram resolver o problema da escravidão durante e após a luta pela independência, o negro passou a constituir um problema sem solução que se arrastou para uma guerra civil. Até os chamados “Pais fundadores”, como Thomas Jefferson e George Washington jamais se opuseram à escravidão, quando não a defenderam. Antes, durante a guerra de independência contra os britânicos, os colonos só aceitaram soldados negros por que a Metrópole prometeu a eles liberdade para quem lutasse pela coroa.


Demétrio Magnoli

Após a Guerra Civil, o problema da escravidão foi solucionado, mas o negro, ainda assim, estava longe de obter igualdade. As gerações que sucederam à Guerra de Secessão veriam não uma melhora do status do negro na sociedade, mas sim o recrudescimento do radicalismo racista. Poucos conseguiram o direito de votar e nenhum conseguiu o status de uma classe governante, mesmo com o imenso progresso econômico. As formas de segregação se cristalizaram e se expandiram como nunca. Os quatro milhões de negros libertos após 1865, se juntaram ao meio milhão já livre nos guetos do norte e bairros e cidades afastadas do sul. O paradoxo da sociedade norte-americana é que ela acreditava (ou acredita?) tanto na separação racial quanto na liberdade racial, sendo que a primeira seria a condição para a segunda!
No Brasil não tivemos esse tipo de sociedade. Havia e ainda há racismo por aqui? Sem dúvida! Mas aqui a divisão social entre pobres e ricos sempre foi maior e mais profunda do que a entre negros e brancos. Os negros são maioria nas favelas, mas lá há também brancos e eles são todos iguais dentro da comunidade, bem diferente dos Estados Unidos, onde há bairros e até igrejas só para negros ou só para brancos. As políticas de cotas dizem que querem ajudar os negros e os equiparar aos brancos. Mas são os pobres (de todas as cores) que merecem se equiparar aos mais ricos (de todas as cores). Por mais que a herança da escravidão deixe os afro-descendentes em situação desfavorável no cenário nacional, ser pobre não é sinônimo de ser negro, não ter oportunidade de estudo e trabalho não é sinônimo de ser negro. Ser de classe média tampouco é sinônimo de ser branco. É justo um negro de classe média ganhar uma vaga de um branco pobre da favela só por que o IBGE ou os tribunais raciais das universidades decidiram que ele, por uma gota de sangue, é mais merecedor do que o outro?


É por essas e outras que eu penso que para ser a favor de cotas raciais (por Buda e raças existem?) ou a pessoa deve ser louca, ou mal informada ou picareta. Não posso criticar os loucos. Os mal informados são os bem intencionados que não conhecem tão bem do assunto. Já os picaretas, são os mal intencionados que esperam se dar muito bem com essas leis. ONGs pilantrópicas que me perdoem, mas vocês fazem muito mal a esse país.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Chocolate preto, branco... ou os dois?


Ai, que saudade da minha infância pré-racial idílica e tristonhamente perdida! Lembro-me que fui uma criança que não conhecia o conceito de raça. Quando aparecia alguém novo, a cor era a última coisa que me chamava a atenção. Não que eu não pudesse notar as diferenças de tons de pele entre as pessoas, mas isso era uma coisa que não chamava minha atenção. Não mesmo! E olhem que eu cresci em um ambiente onde comentários racistas eram sempre entreouvidas. Passei anos ouvindo (e ainda ouço) comentários negativos em relação à negritude. Não falo aqui de afirmações duvidando da capacidade dos negros de estudarem, aprenderem, conseguirem bons empregos em cargos de liderarança. Não, de maneira alguma! As piadas eram em outro sentido. Era (e é) na estética que o racismo tupiniquim tem encontrado sua forma mais difundida.

O casal interracial protagonizado por Lázaro Ramos e Débora Falabella na TV.

Ora, poucos brasileiros concordariam que os negros são menos inteligentes ou menos capazes. Mesmo os que pensam dessa forma, não tem coragem de assim se expressar. Apesar de nosso racismo ser real, a característica brasileira de dissimulá-lo, impede que os negros possam ouvir desaforos todos os dias na rua ou que sejam agredidos fisicamente diariamente, como em outros países, onde tais atitudes levaram a conflitos sangrentos e intermináveis, com feridas que são difíceis de serem curadas. Nesse aspecto, o racismo velado à brasileira, é menos nocivo que o preconceito descarado e destruidor. Quem é gay, travesti, soropositivo, estrangeiro/refugiado em certos países (dentre outros grupos discriminados sem o menos pudor pelos agressores) sabe muito bem do que eu estou falando.

Outro casal interracial da TV brasileira, interpretado por André Gonçalves e Lui Mendes

Mas o racismo brasileiro não é nada tímido quando se trata da estética. No momento em que nós brasileiros abrimos a boca para falar sobre o que é bonito e o que é feio, muitas máscaras caem. Quando era criança ouvi uma coisa que nunca saiu da minha cabeça. Uma mãe falava sobre suas duas filhas crianças e saiu com um frase mais ou menos como essa "A mais velha deu mais sorte do que a mais nova, por que foi a única que nasceu loirinha e de olho azul, que nem a avó". Para meu espanto, esse tipo de afirmação não parecia incomodar as outras pessoas além de mim. Ficava pensando, com meus botões, como era possível ninguém perceber que, dito dessa maneira, a etnia branca parecia ser uma espécie de "raça" pura, cuja "autenticidade" se verificava pela branquitute do indivíduo. Ora, ser mestiço parecia ser algo ruim, como se fosse uma maldade da natureza ou da criação, que só concederia a graça de ser branco e louro a uns poucos eleitos. Esse calvinismo predestinacionista caucasiano é a lei máxima da estética brasileira. Basta dar uma olhada no orkut para perceber como as pessos louras são endeusadas, invejadas e, em alguns casos, metidas por fazerem parte do seleto grupo escolhido a dedo pelo deus da estética. E não adianta nenhum de nós protestar, criticar. Certa vez discutia com amigos que diziam que não sentiam atração por pessoas negras. Todos faziam questão de frisar que não eram preconceituosos e tal. Eu os questionei, dizendo que era coincidência demais os brancos "puros" serem sempre os preferidos na hora de nós brasileiros escolhermos nossos(as) parceiros (as). Afinal, você aí que não gosta de negros ou negras, sabe justificar por que?
Se tem uma coisa que aprendi é que quando temos uma opinião que consideramos consolidada e não sabemos justificá-la é por que há algo de errado: geralmente tem alguém pensando por nós. Afinal de contas, quando sabemos o que queremos, nós sabemos dizer por que. Todo ser humano tem sua beleza. Se você não enxerga é por que escolheram por você o seu gosto. Alguém poderia argumentar: "Mas eu conheço brancos que preferem negros, seriam eles racistas também?". Ora, não acho impossível que algumas pessoas prefiram um ou outro tipo, mas brancos que preferem negros são muito (muito mesmo) mais raros do que o oposto. Será que sou só eu que enxergo que tem alguma coisa errada nessa equação? Vamos curtir a vida e experimentar novos sabores... e cores? Afinal de contas, quem come de tudo não
passa fome.
Mestiço (1934) de Cândido Portinari.

Aguardem: futuramente vou discutir as cotas para negros nas universidades e a nova classificação racial do IBGE, que só enxerga negros e brancos no Brasil.

sábado, 6 de junho de 2009

Entre o deslumbramento e a indignação


Amantes infantes...

Desde o começo de Maio saiu na internet o trailer do filme "Do começo ao fim" de Aluizio Abranches. O filme tem causado polêmica muito antes de estrear nos cinemas brasileiros. A trama do longa se baseia na relação amorosa (e incestuosa) entre dois meio-irmãos desde a infância. O diretor destacou que não pretendeu fazer um filme gay, mas sim um filme sobre as relações amorosas na família. O duplo impacto causado no público se deve aos dois temas polêmicos tratados pelo filme: o incesto e a homossexualidade. Mas vamos ser sinceros, o segundo tema causa muito mais rebuliço do que o primeiro. O incesto já é algo muito retratado na TV brasileira. Quem não se lembra da ótima minisérie "Os maias", em que Ana Paula Arósio e Fábio Assunção (que aliás também está nesse filme) travaram um romance tórrido? No cinema tivemos um caso ainda mais "escandaloso" em "Lavoura Arcaica", onde Selton Melo e Simone Spoladore interpretam um casal de irmãos que divide entre si algo muito mais do que um amor fraternal.
Por essas e outras que eu acredito piamente que a polêmica acontece por causa da história ser protagonizada por dois rapazes. Chamamos isso de desculpa. Elegemos um inimigo, e como não queremos dizer isso abertamente, disfarçamos nosso ódio elegendo um outro inimigo, mais fácil de ser odiado. O incesto incomoda? Sim, mas se não incomodou em "Os maias", por que incomoda agora?
De qualquer forma, creio que esse filme (seja bom ou ruim) vem para preencher uma lacuna. O cinema brasileiro está muito atrasado em relação ao cinema europeu, asiático e americano, quando o tema é a homossexualidade. O cinema de retomada, apesar de todo o sucesso e diversidade de temas abordados, estava devendo nesse quesito. E olha que já começamos com um filme espinhoso. Não falamos só de homossexualidade, como também de sexualidade infantil. Muitos pais esquecem que crianças também tem sexualidade e preferem ver os filhos menores como assexuados. Colocar na telona um romance homo-afetivo infantil não deixa de ser um feito! Como reagirão os críticos moralistas, os evangélicos, o público em geral? Como será a bilheteria do filme? Eu pretendo ver na estreia, e vocês?

Ressuscitando o Blog...

Fiquei meses sem atualizar meu blog. Os dois principais motivos são a falta de tempo e por que eu estou sem computador. Sei que estou devendo comentários sobre o oscar de 2007, mas vou deixar para depois. Estou super empolgado com um filme brasileiro que está para sair. Chama-se "Do começo ao fim", por isso resolvi fazer alguns comentários sobre ele e sobre sua repercussão pela internet.
Vamos lá.

terça-feira, 24 de março de 2009

Oscar - Continuação

2006 - Os cinco indicados eram muito bons. Adorei BABEL, os hispânicos sabem fazer filmes melhor do que nós brasileiros. Torcia por esse longa, mas também fiquei emocionado com a família de PEQUENA MISS SUNSHINE, obra que, para mim, já nasceu como um clássico do baixo orçamento.


Um filme brilhante sobre o mundo interdependente, globalmente conectado e caótico em que vivemos.


A atriz japonesa Rinko Kikuchi arrasou em seu papel de menina surda e sexualmente fogosa. Merecia muito o oscar que a academia deu à péssima atriz (que na verdade é uma cantora fingindo ser atriz) Jenifer Hudson.


Que família que não se enxerga nessa divertida tragicomédia?

Será que a vitória de OS INFILTRADOS foi uma injustiça? Pode-se cometer um erro para corrigir outros? "Babel" e "Sunshine" mereciam muito mais do que levaram, mas dar o oscar a Scorcese pelo filme errado é pouco perto das injustíssimas derrotas anteriores que ele recebeu!



2007 - ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ foi o pior filme premiado com um oscar pela academia desde "Chicago". É uma daquelas tragédias que a humanidade sempre passa de tempos em tempos, como o Tsunami e os furacões. Os irmãos Coen são mestres em produzir filmes sobre o nada. Daquele tipo de gente que filme um papel em branco por 3 horas e diz que tem um filme. Os personagens são tão caricatos que chega a doer. O assassino de Javier Barden parece que saiu das canetas de Glória Perez. Já o policial de Tommy Lee Jones sequer tem relevância no filme, pelo menos o ator recebeu uma graninha para não fazer nada! Coitado do personagem de Josh Brolin, que começa bem, mas sai de cena de maneira vergonhosa, como se o ator tivesse morrido antes do fim das gravações, o que teria forçado os diretores a "sumir" com o personagem.


Keira Knightley e James McAvoy fizeram uma química perfeita! Um casal apaixonante!


O olhar da "maligna" Briony combinado à trilha sonora (com aquela máquina de escrever ao fundo) dão o tom de um filme magnífico sobre culpa e remorso.

Os melhores do ano foram DESEJO E REPARAÇÃO e SANGUE NEGRO. Penso que tinha uma leve preferência por este último. Daniel Day-Lewis mostrou o que é ser um bom ator de verdade! Paul Dano mais uma vez está muito bem no papel de um pastor mutreta e cheio de ganância. A cena em que ele humilha o seu adversário na igreja ficou gravada na minha memória: "I abandoned my child!"; Do you believe in Jesus?"; "Yes!". 




Mantendo a minha tradição: adoro filmes que tratam sobre relação entre pai e filho.

Outro fiasco do ano foi o prêmio de roteiro para Juno. Se hollywood continuar importando os roteiros globais de Malhação para lá, o que será do universo?

AGORA SÓ FALTA O ÚLTIMO OSCAR! AGUARDEM!

Para todos esses amores que nos iluminam a vida (The love of Siam)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E o Oscar vai para...

Inicialmente eu pensava em postar apenas sobre o oscar desse ano... Mas resolvi ir além. Acompanho a festa desde o ano de 1998, quando eu tinha 13 anos e vi Titanic abocanhar 11 estatuetas, e desde então não perco a premiação. Dessa maneira, resolvi comentar os últimos 10 anos do prêmio da academia de Hollywood. As opiniões expressas aqui são totalmente pessoais, aliás, como tudo nesse blog. Se não concorda, debata comigo.

1999. Esse ano foi muito especial para mim, pois o filme BELEZA AMERICANA, um dos meus favoritos arrebatou cinco prêmios, incluindo o de melhor filme e ator (Kevin Spacey). Para mim (e para muitos outros) a tensão sexual nunca mais foi a mesma depois de ver as cenas em que o personagem de Spacey sonha com a loira ninfeta, rodeado de pétalas de rosas vermelhas. Pois é, toda vez que eu estou na rua e vejo alguém muito atraente logo me vem à cabeça as pétalas vermelhas...
Mas esse ano também foi aquele em que a Academia resolveu esnobar o filme O SEXTO SENTIDO. Das seis indicações que recebeu, o filme do indiano Shyamalan não recebeu nenhum prêmio. Que injustiça!


Grande injustiça esse grande filme não ter levado nenhum prêmio.


Até o Ministério da Saúde usa o filme Beleza Americana como referência para campanhas.


2000. Esse foi um ano fraco. Os cinco indicados não eram grande coisa. A vitória de Gladiador é uma dessas coisas horríveis que acontecem e a gente não tem como explicar. Um filme bobo, com história manjada e um Russe Crowe que faz a mesma cara em todas as cenas. Talvez fosse mais justo premiar a obra-prima de Ang Lee: O TIGRE E O DRAGÃO. Mas eu sou suspeito para falar, porque entre a China e a Roma antigas, eu fico com a primeira. De qualquer forma, acho os personagens do filme de Lee muito mais cativantes. Além do mais, a invencionisse histórica de Gladiador me parece muito forçada. Qualquer um pode saber que a trama chinesa é uma ficção, mas na película de Ridley Scott há a pretensão ridícula de nos fazer acreditar que os fatos são "verdadeiramente históricos". Ridículo!
Mas a maior injustiça do ano foi dar o Oscar para Julia Roberts. Todo mundo com um pingo de inteligência sabe que passaram a perna em Ellen Burstyn. A veterana está magnífica em RÉQUIEM PARA UM SONHO, um filme maravilhoso sobre o vício humano, muito melhor em todos os aspectos do que o sem sal ERIN BROCKOVICH. Nota 0 para a academia.



2001. Repetindo o ano anterior, a academia resolveu premiar mais um filme meia boca estrelado pelo (argh!) ator Russel Crowe. UMA MENTE BRILHANTE levou o prêmio principal sem possuir nenhum brilho especial. Por outro lado, não faltou brilho e glamour à MOULIN ROUGE. O maravilhoso musical com a bela Nicole Kidman, fez ressurgir o gênero e me levou às lágrimas. Se não merecia o oscar de melhor filme, já era melhor do que o filme de Crowe, que maquia a vida do protagonista para embelezar a história, numa tentativa melodrática (usando técnicas da Televisa) de nos fazer sentir comoção.
Creio que ENTRE QUATRO PAREDES era o melhor dos cinco indicados. Mas jamais a academia premiaria um filme tocante e delicado como esse. Uma pena.



2002. Dessa vez resolveram baixar o nível de vez. Moulin Rouge iniciou um movimento de retorno aos musicais. CHICAGO é um bom exemplo do sucesso que Moulin Rouge conseguiu. Mas não entra na minha cabeça como esse filme possa ter recebido o prêmio principal. Eu consigo engolir tudo, até mesmo as caras sempre iguais de Crowe, mas não me desce a vitória de CHIGAGO. É o filme mais sessão da tarde que já ganhou um oscar de melhor filme. Toda a trama é pueril e descartável. Não deixa de ser um filme divertido, mas sem o menor conteúdo. Na verdade, se o prêmio foi dado por causa do quesito diversão, mesmo assim eu não compreendo. OS GOONIES e CURTINDO A VIDA ADOIDADO são muito mais divertidos e sequer foram indicados a melhor filme. Sim, não se assustem, na minha humilde opinião Chicago perde feio para Gonnies ou Curtindo a vida. O máximo que esse musical merecia era o prêmio de melhor filme da sessão da tarde, isso se não existisse filme melhor na parada. Convenhamos, ELVIRA: A RAINHA DAS TREVAS, por exemplo, também dá de 10 a 0 no filminho de Rob Marshal. A única coisa que salva é Renée Zellweger, sempre ótima em qualquer papel.



Meu voto para esse ano fica com AS HORAS. Um filme magnífico, uma homenagem às mulheres, ao feminismo, ao século XX, à vida. E mais: com Nicole Kidman e Meryl Streep!



2003. Um ano em que nenhum dos cinco indicados era assim tão marcante. Infelizmente O SENHOR DOS ANÉIS passou como um rolo compressor em cima de todos os concorrentes. Pena para CIDADE DE DEUS, um dos maiores filmes brasileiros de todos os tempos, que ficou sem nenhum prêmio. Sem ufanismo, mas o nosso representante brazuca merecia até oscar de melhor filme. O destaque do ano, para mim, vai para Charlize Theron, arrasadora em MONSTER.


Salve Ferris!!! Tem filme da Sessão da tarde que merecia oscar! :P


Simplesmente tocante e sem exageros.

2004. Gostei de todos os indicados e não poderia dizer que foi injusta a vitória de MENINA DE OURO (pobre Scorcese!), mas preferia EM BUSCA DA TERRADO NUNCA. Serei sincero, eu gosto de filme meloso que a gente chora no final. Pronto, admiti! Desde que não seja forçado, como em Uma mente brilhante.





2005. Um dos anos mais tristes da história da academia. A vitória de CRASH foi um desastre, um cataclisma. A idéia do roteiro do longa não é ruim, mas é tão cheia de clichês ridiculos que parece que foi feito por um grupo politicamente correto contratado pelo governo dos EUA como forma de propaganda anti-discriminação. Alguém se lembra da cena em que a personagem de Sandra Bullock abraça sua empregada hispânica e fala "você é minha única amiga"? Caramba, que clichê! Só faltava as duas serem interrompidas por um narrador: "Abrace a luta contra a discriminação". Patético, não? O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN e CAPOTE foram indiscutivelmente os melhores filmes do ano. Ótimos atores, roteiros interessantes, sem apelar para sentimentalismos. Nota 0 mais uma vez para a academia.


OUTRO DIA CONTINUO DE ONDE PAREI... AGUARDEM.

Para todos esses amores que nos iluminam a vida (The love of Siam)